loading-icon
MIX 98.3
NO AR | MACEIÓ

Mix FM

98.3
sexta-feira, 24/07/2026 | Ano | Nº 6274
Maceió, AL
25° Tempo
Logo Gazeta de Alagoas Logo Gazeta de Alagoas
Home > Caderno B

NESTA SEGUNDA-FEIRA

Na Bienal, escritor Ubiratan Muarrek propõe colocar o Brasil no divã

Autor participa da mesa “Assombrados pela Escravidão” na segunda (3), às 14h, ao lado de Adriana Vieira Lomar

Ouvir
Compartilhar
O escritor Ubiratan Muarrek apresenta o livro “Meio do Céu” na Bienal do Livro de Alagoas, discutindo as feridas históricas e linguísticas do país
O escritor Ubiratan Muarrek apresenta o livro “Meio do Céu” na Bienal do Livro de Alagoas, discutindo as feridas históricas e linguísticas do país | Foto: Divulgação

Depois de passar por São Paulo, Rio, Lisboa, Recife e Brasília, Meio do Céu, de Ubiratan Muarrek, chega à Bienal do Livro de Alagoas. O autor integra a mesa “Assombrados pela Escravidão” nesta segunda-feira (3), às 14h, ao lado da escritora Adriana Vieira Lomar.

A conversa parte de um ponto direto: o Brasil que não encerrou a própria herança escravocrata. Muarrek trata do tema pelo atrito entre o Nordeste e um olhar de fora que decidiu pertencer. Em Meio do Céu, duas recifenses em Londres — Greta e Sofitel, uma negra e outra branca — dialogam no dia da queda do Concorde, em 2000. A cena, escrita como peça e sem narrador, apresenta uma modernidade que rui enquanto a língua brasileira vira matéria de disputa. No Suplemento Pernambuco, o livro foi definido como “um voo arriscado sobre as ruínas do século 21”.

A presença de Muarrek em Maceió acompanha um ciclo de trabalhos ancorados no Nordeste. Além do livro, ele desenvolve a série documental Crianças do Cariri (Miração Filmes, direção de Sérgio Roizenblit), prevista para filmagem a partir de 2026 pela TV Brasil, em que meninas e meninos narram o território mítico e arqueológico do Cariri. No teatro, a peça Mãe Coragem, escrita para Fátima Patrício, transpõe Brecht para Canudos. O conjunto desenha uma pesquisa contínua sobre país, fala e cena. “O Nordeste não é meu cenário, é meu método. Escrever nele e a partir dele é escrever sobre o futuro”, diz o autor. “O português recifense, com sua música e violência, virou o campo onde testei os limites da literatura”.

Imagem ilustrativa da imagem Na Bienal, escritor Ubiratan Muarrek propõe colocar o Brasil no divã
| Foto: Divulgação

As leituras críticas convergem para a fricção entre riso e queda. Para Léo Lama, Meio do Céu “explicita o choque entre o trágico e o cômico, até que um se torne o espelho do outro”. Tatiana Eskenazi enxerga “uma mistura entre Esperando Godot e O Auto da Compadecida, onde a comédia é o disfarce mais perigoso da tragédia”. Muarrek resume a aposta: “Tempos ameaçadores pedem arte ameaçadora — não arte ameaçada”, provoca.

Shorts Youtube
Play
Joalheiria é alvo de assalto em plena luz do dia em Teotônio Vilela

Joalheiria é alvo de assalto em plena luz do dia em Teotônio Vilela

Play
Prefeitura remove embarcações e objetos abandonados na orla da Pajuçara

Prefeitura remove embarcações e objetos abandonados na orla da Pajuçara

Play
Operação prende suspeito de tráfico de drogas em Arapiraca

Operação prende suspeito de tráfico de drogas em Arapiraca

Play
Polícia inicia 6ª fase da Operação Cerco Fechado

Polícia inicia 6ª fase da Operação Cerco Fechado

Play
Ação da Semsc remove embarcações e objetos abandonados na orla da Pajuçara

Ação da Semsc remove embarcações e objetos abandonados na orla da Pajuçara

Muarrek é escritor, jornalista e produtor de cinema, colunista do Público Brasil (Lisboa). Publicou Corrida do Membro (2007) e Um Nazista em Copacabana (2016), semifinalista do Prêmio Oceanos 2017. Em Meio do Céu, reafirma a tragicomédia como chave de leitura do presente.

Tags:

BienalDoLivroDeAlagoas LiteraturaNordestina MeioDoCéu UbiratanMuarrek

Relacionadas