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‘Música alagoana é pluralidade’: Quarto Vazio e o novo som de Alagoas

Em entrevista ao Caderno B, banda da parte alta de Maceió fala sobre referências, processos criativos e expectativas para o futuro

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Imagem ilustrativa da imagem ‘Música alagoana é pluralidade’: Quarto Vazio e o novo som de Alagoas
| Foto: Divulgação

Na capital alagoana, 38% das pessoas afirmam ir a shows de música, segundo a pesquisa Cultura nas Capitais. Esse número é o reflexo de um Nordeste que têm dado passos largos em uma caminhada harmônica, com as indicações e conquistas no Grammy Latino, com os pernambucanos Joyce Alane e João Gomes, a baiana Luedji Luna e o sergipano Mestrinho. É nesse cenário que a arte alagoana vem assistindo ao surgimento de uma geração de artistas que mistura referências globais, experiências urbanas e ecos da música brasileira, redesenhando o que se entende por “som alagoano” no presente.

Na terra de Djavan, as sonoridades alagoanas se encontram com referências da MPB e internacionais nas vozes dos quatro integrantes da banda Quarto Vazio — Nycolas Coruripe, o guitarrista; Denner Cavalcante, baterista; Gabriela Ramos, baixista; e Victor Dante, vocalista e guitarrista. A banda, de dream pop tropical, shoegaze e rock alternativo, nasceu no Eustáquio Gomes, no bairro da Cidade Universitária, parte alta de Maceió. É esse contraste entre referências externas e consumo local que faz o processo de construção sonora da Quarto Vazio antropofágico, nas palavras de Gabriela.

Segundo Nycolas, os ritmos tradicionais estão intrínsecos nas inspirações da banda, que também passam por Clube da Esquina, rock japonês e Black Country. “Música alagoana é pluralidade, é contínua, é crescente, sinto que nós fazemos parte de um todo sim, é notável o crescimento de artistas e bandas do segmento nos últimos três ou quatro anos”, disse o guitarrista.

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| Foto: Divulgação

Eles contam que, embora bebam de diversas fontes externas, o local está mais que presente no painel de inspirações da banda. Victor conta que um bom exemplo dessa fusão é a faixa “Barco a Vela”, que, embora seja uma música em formato dream pop, tem um groove brasileiro em certas partes. “Da minha parte, sempre fui encantado por artistas como Kara Veia, Djavan, Belchior, entre muitos outros”, disse.

Denner relatou ao Caderno B que, embora reconheça que Djavan é um importante agente no cenário musical alagoano, enxerga uma certa expectativa sobre a produção que acontece aqui no estado — o que ele chama de “Djavanismo”. “Querendo ou não, Djavan, é nosso maior expoente musical, dentro e fora do estado (e fora do país também). A partir disso, criou-se (para o bem e para o mal) essa convenção artística de que, tudo que é produzido aqui tem esse formato ‘ritmos regionais/ritmos brasileiros’. Porém, o cenário musical em Alagoas é extremamente amplo e prolífico em diversos segmentos, como por exemplo: hip-hop, reggae, rock etc.”, conta.

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| Foto: Divulgação

Segundo ele, o hip-hop tem crescido em Alagoas, o reggae tem uma tradição e relevância cultural importante no território alagoano. “ [Temos] Vibrações, Cleiton Rasta e Luana do Reggae”, exemplifica o baterista.

Além disso, não há como falar de música, melodias e composições sem antes explorar o contexto. Segundo os artistas do grupo, que já lançou dois álbuns em 2023 e 2025, as vivências de jovens da parte alta da capital alagoana permeiam muito das crianças da Quarto Vazio.

“A vida de quem mora em uma parte tão afastada da cidade molda muito a perspectiva que temos das coisas. A dificuldade de atravessar a cidade ou até mesmo de voltar para casa após algum evento que acontece na parte baixa já foi retratada em algumas de nossas músicas e se tornou um assunto recorrente, justamente por tocar tão diretamente a nossa realidade”, relata Victor.

Fato é que, da parte alta ou não, o som da Quarto Vazio tem circulado por todo o Brasil — hoje, a banda é vista como um dos principais nomes do rock alternativo brasileiro. Nycolas conta que, no cenário do rock local, o som da banda é uma experimentação, pela mistura de influências, e um pouco de afeto pelas experiências pessoais de cada um.

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| Foto: Divulgação

Para Gabriela, a expectativa agora é de que o país enxergue o rock feito em Alagoas da mesma forma que vê o feito no eixo Sul-Sudeste. “Queremos que as portas de shows e festivais se abram sem que a distância seja um empecilho. Precisamos reafirmar o nosso estado, mas sem ficarmos demarcados por isso”, disse.

No fim das contas, a Quarto Vazio mostra que a música alagoana de hoje não é apenas herança de Djavan nem reprodução de ritmos tradicionais: é híbrida, urbana e em constante transformação, o que faz ecoar a complexidade de uma geração que atravessa a cidade, o país e as plataformas digitais com seu próprio som.

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*Sob supervisão da Editoria

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