EM PIRANHAS
Cláudio Rabeca leva forró, cavalo-marinho e maracatu ao Vozes do Velho Chico
Rabequeiro potiguar radicado em Pernambuco sobe à escadaria da Pousada Trilha do Velho Chico com um show que cruza tradições do Nordeste
Há alguns anos, antes de o festival existir, Cláudio Rabeca visitou a pousada à beira do São Francisco em Piranhas e ouviu do proprietário uma promessa: se um dia criasse um festival, te chamaria. No dia 5 de setembro, essa promessa se cumpre.
O rabequeiro, compositor e luthier potiguar radicado em Pernambuco se apresenta no Vozes do Velho Chico 2026 com um show que reúne forró, frevo, samba, cavalo-marinho, coco e maracatu — tradições nordestinas que Cláudio não só toca como ajudou a preservar ao longo de mais de duas décadas de trabalho com mestres, grupos e comunidades do Nordeste. A apresentação acontece na escadaria da Pousada Trilha do Velho Chico, no centro histórico de Piranhas, no Alto Sertão Alagoano.
A trajetória de Cláudio passa por uma formação que poucos músicos contemporâneos têm: aprendeu a tocar rabeca com Mestre Salustiano, referência do cavalo-marinho pernambucano, e construiu uma carreira que inclui o Quarteto Olinda, o Cavalo Marinho Estrela de Ouro e o Maracatu Nação Estrela Brilhante do Recife. Professor de rabeca há mais de 20 anos, também fabrica seus próprios instrumentos — uma prática que, segundo ele, cria uma dimensão que vai além da técnica. “Faço a rabeca do jeito que gosto, com a sonoridade que procuro. A partir da construção nasce um vínculo energético, emocional e até espiritual”, diz.
Alagoas já faz parte da sua história antes desta estreia no festival. Cláudio guarda uma lembrança marcante da visita ao lendário Nelson da Rabeca, em Marechal Deodoro. “Foi uma figura incrível”, disse. Conhece o coco e o Reisado alagoano, e tem contato com rabequeiros do estado. Para ele, esse trânsito entre as culturas dos estados é parte indissociável do ofício. “Sempre que posso, incorporo essas influências ao meu trabalho”.
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A expectativa para o show em Piranhas é alta. “Conheço o festival pela internet há alguns anos. Sempre observava os artistas que passavam por lá e tenho amigos que já tocaram. Estou muito ansioso e espero encontrar um público animado, com vontade de ouvir minha música, dançar e conhecer o forró de rabeca”, contou.
Criado em 2014, o Vozes do Velho Chico acontece nos dias 4 e 5 de setembro, ocupando o centro histórico de Piranhas e as margens do São Francisco com música, literatura, teatro, cinema, circo, artes visuais, gastronomia e poesia. A realização é da Pousada Trilha do Velho Chico, com produção do Instituto Boibumbarte e recursos da Política Nacional Aldir Blanc.