AVANÇOS E DESAFIOS
Com investimento de mais de R$ 800 mi, AL reduz homicídios em cerca de 60%
Gazeta Summit 2050 levou ao Centro de Convenções debate de alto nível sobre a segurança pública
Alagoas registrou uma redução de cerca de 60% no número de homicídios em 2025, em relação a 2012. O dado foi apresentado pelo secretário de Segurança Pública de Alagoas, Flávio Saraiva, nessa terça-feira (31), durante o Gazeta Summit Alagoas 2050 – Segurança Pública, realizado no Centro de Convenções.
Segundo o gestor da pasta, o resultado é fruto de um investimento de mais de R$ 805 milhões no setor, nos últimos anos.
O secretário abordou o tema “Segurança pública como política de Estado: integração, tecnologia e resultados”. Durante a apresentação, Saraiva mostrou que o número de assassinatos caiu 56,6% em relação a 2012; 57,8% em comparação com 2013; e 11,1% em 2025, na comparação com 2024, sinalizando uma tendência de queda contínua.
Ele afirma que os investimentos permitiram a ampliação da estrutura e a modernização dos equipamentos da segurança pública.
Foram implantados 19 Centros Integrados de Segurança Pública, além da nova Central de Flagrantes, Delegacias da Mulher, Salas Lilás, bases operacionais, aeroportos estratégicos, a Academia do Corpo de Bombeiros e o Pátio de Custódia.
Outros equipamentos adquiridos incluem 7.250 pistolas, três helicópteros, novas viaturas, mais de 8 mil coletes balísticos, escudos, óculos de visão noturna, drones com câmera termal, trajes antibomba, caminhões autobomba, embarcações para patrulhamento aquático e laboratórios forenses.
O Gazeta Summit contou com a presença de autoridades, especialistas e membros das corporações, promovendo debates relevantes sobre o presente e o futuro da segurança pública no estado.
Luis Amorim defende políticas integradas para consolidar avanços na segurança
O diretor executivo da Gazeta de Alagoas, Luis Amorim, destacou a evolução dos indicadores no estado e defendeu a continuidade de políticas integradas para consolidar os avanços. Ele enfatizou que o Summit propõe a construção de soluções a partir da troca de experiências.
“Mais do que discutir problemas, buscamos contribuir com caminhos, experiências e reflexões que fortaleçam políticas públicas mais eficazes e integradas”, afirmou.
Segundo ele, o estado deixou para trás um período em que figurava entre os mais violentos do país e, hoje, apresenta um cenário mais seguro, fruto do trabalho conjunto das forças de segurança e de ações estruturadas.
Avanço da IA e Inovação
Especialistas expuseram, no painel “Tecnologia e inovação no combate ao crime”, que o uso da inteligência artificial (IA) já está na linha de frente do combate à criminalidade no Brasil.
O delegado do Rio Grande do Sul, Cristiano Ribeiro Ritta, apresentou soluções tecnológicas desenvolvidas dentro da própria corporação, como as chamadas “escrivãs digitais”, um aplicativo com uso de IA que identifica a ausência de dados relevantes, sugere perguntas durante interrogatórios e aponta linhas preliminares de investigação.
O sargento da PM Tarcísio Lopes destacou o uso da plataforma Defend, que permite visualizar ocorrências de forma simultânea, conectando gestores e equipes operacionais em uma rede colaborativa.
SSP destaca os desafios de hoje e do futuro
O delegado José Carlos, que é mestre em Direitos Humanos, com ênfase em Segurança Pública, afirma que o setor enfrenta desafios.
O feminicídio é um deles, com aumento dos casos em todo o país. “É uma pauta muito cara para nós, e isso não deixa de ser um desafio para os próximos anos”, afirmou.
Outro desafio apontado é tornar os números de redução mais consistentes, levando também outros “remédios” aos locais dominados pelo crime, como saúde, educação e assistência social.
O segundo ponto é promover maior sensação de segurança na população. “Estamos vencendo batalhas importantes, mas as pessoas não estão sentindo isso”, complementou.
O terceiro ponto enfatizado é a importância de preservar o Estado Democrático de Direito. “Os criminosos são bárbaros, mas não precisamos nos equiparar a eles para vencer, pois temos capacidade técnica para combater essa criminalidade”, destacou.