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TENTATIVA

Técnica inovadora para coleta de sururu será implantada em Alagoas

Iniciativa promete mais segurança, renda e inclusão nas comunidades do Vergel do Lago

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A coleta é feita sem a necessidade de mergulho na lagoa, reduzindo riscos e facilitando o trabalho
A coleta é feita sem a necessidade de mergulho na lagoa, reduzindo riscos e facilitando o trabalho | Foto: GazetaWeb.com

Marisqueiras e pescadores do Complexo Estuarino-Lagunar Mundaú-Manguaba, em Maceió, devem contar, nos próximos meses, com uma nova técnica de cultivo de sururu, molusco que é base da culinária e da economia local. A iniciativa será executada pelo Instituto Brasileiro de Desenvolvimento e Sustentabilidade (IABS) e propõe um modelo inédito no Estado, inspirado no sistema long-line.

A nova metodologia surge como alternativa ao método tradicional de coleta, feito por meio do mergulho em apneia — prática que exige que o pescador vá ao fundo da lagoa prendendo a respiração. Além de limitar a participação de mulheres, esse tipo de coleta pode causar problemas de saúde, como perda auditiva, infecções cutâneas e até acidentes mais graves.

Com o sistema long-line, o cultivo do sururu passa a ser realizado em fios suspensos por boias, mantendo os moluscos próximos à superfície da água. Dessa forma, a coleta é feita sem a necessidade de mergulho, reduzindo riscos e facilitando o trabalho. “Basta puxar a penca para retirar o sururu, sem precisar ir ao fundo da lagoa”, explica o instituto.

A proposta também amplia a inclusão produtiva, especialmente de mulheres, que tradicionalmente atuam apenas no beneficiamento do sururu — etapa que envolve a retirada da carne da concha, fervura, peneiração e embalagem do produto. Com a nova técnica, elas poderão participar também da fase de coleta.

O projeto Cultivo do Sururu prevê a implantação de 100 módulos de produção no complexo lagunar, com foco inicial no bairro do Vergel do Lago. A expectativa é beneficiar, em um primeiro momento, 25 famílias, podendo alcançar até 100 pessoas direta e indiretamente.

A área destinada ao cultivo ultrapassa 4 mil metros quadrados. Cada família receberá quatro módulos e deverá produzir, em média, 90 quilos de sururu por mês. Os cultivos serão organizados em sistema de mutirão técnico-participativo, com acompanhamento especializado.

Segundo o IABS, a iniciativa alia inovação, sustentabilidade e inclusão social, além de fortalecer a segurança alimentar e a economia local. O método já é utilizado em outras regiões do Brasil e do mundo no cultivo de moluscos, como o mexilhão.

O projeto também prevê ações complementares, como diagnóstico socioprodutivo da cadeia, capacitação de aquicultores familiares, apoio ao licenciamento ambiental, análises laboratoriais da água e do produto, além do aproveitamento de cerca de 10 toneladas de conchas, dentro de uma proposta de economia circular.

Atualmente, o projeto está na fase de diagnóstico, com levantamento de informações socioeconômicas e identificação de áreas adequadas para o cultivo. A seleção das famílias e a implantação dos módulos estão previstas para ocorrer entre maio e setembro de 2026.

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