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Patinetes e bicicletas elétricas mudam dinâmica e acirram disputa por espaço na orla

Novos modais prometem agilizar o trânsito e atraem turistas; ciclistas reclamam de alta velocidade

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Maceió, 08 de abril de 2026 Patinetes e bicicletas eletricas na orla de Maceió. Alagoas - Brasil Foto:@Ailton Cruz
Maceió, 08 de abril de 2026 Patinetes e bicicletas eletricas na orla de Maceió. Alagoas - Brasil Foto:@Ailton Cruz | Foto: AILTON CRUZ

A paisagem da orla de Maceió ganhou um novo componente na última semana. Com a chegada de equipamentos de micromobilidade, como bicicletas e patinetes elétricos, o cenário do trânsito na Avenida Silvio Vianna e arredores começa a se transformar. A frota inicial, disponibilizada no dia 2 deste mês, conta com 150 patinetes e 75 bicicletas, com previsão de ampliação gradual conforme a adesão do público.

Atualmente, segundo o Departamento Municipal de Transportes e Trânsito (DMTT), apenas a empresa GoJet está apta a oferecer o serviço, embora outras estejam em processo de regularização. O objetivo do órgão é claro: incentivar o uso de transportes alternativos para curtas distâncias. “Para isso, é essencial que os equipamentos estejam cada vez mais ao alcance das pessoas para o uso em diversos pontos da cidade”, pontua o departamento.

ENTRE O LAZER E O DESLOCAMENTO ÚTIL

A adesão tem sido heterogênea. De um lado, usuários como o turista Caio, que tentava desbravar o aplicativo junto à família, enxergam o modal como uma extensão do passeio. “É totalmente para o lazer, para se divertir com a família”, afirma. Do outro, há quem veja nos elétricos uma solução logística para o caos do trânsito.

Cleiton Palma, natural de Salvador, já conhecia o sistema em sua cidade natal e agora utiliza os equipamentos em Maceió para evitar congestionamentos.

Maceió, 08 de abril de 2026 Patinetes e bicicletas eletricas na orla de Maceió. Alagoas - Brasil Foto:@Ailton Cruz
Maceió, 08 de abril de 2026 Patinetes e bicicletas eletricas na orla de Maceió. Alagoas - Brasil Foto:@Ailton Cruz | Foto: AILTON CRUZ

Para ele, o valor de R$ 0,59 por minuto é o grande atrativo. “É mais vantagem do que pegar um ônibus ou um carro de aplicativo para um pequeno percurso. Eu fui até a Orla Nova, deixei o patinete lá para tirar fotos e retornei de bicicleta. Funciona bem”, relata.

MONITORAMENTO: DA LINHA DO TREM AO GPS

A facilidade de uso esbarra em um problema crônico: o abandono em locais irregulares. Para conter o vandalismo e o estacionamento indevido, a empresa utiliza monitoramento via GPS em tempo real. Valdir Paulino Neves, que integra a equipe de remanejamento, revela que os desafios vão além da logística.

“A gente acha em qualquer lugar da cidade pelo GPS. No Vergel, por exemplo, já tentaram levar uma unidade e a abandonaram na linha do trem”, conta o funcionário. Além do resgate físico, há punições digitais. Segundo Lincoln Silva, assessor da GoJet, o bloqueio da conta é automático em casos de uso por menores de idade ou vandalismo. Infrações menores, como andar em dupla ou estacionar bloqueando calçadas, resultam em notificações para evitar reincidências.

O CONFLITO NAS CICLOVIAS: “PASSAM FEITO UM VULTO”

Apesar do entusiasmo de novos usuários e turistas, a convivência entre o motor e o pedal tradicional é tensa. Ciclistas reclamam que a velocidade dos autopropelidos tem tornado as ciclovias perigosas. Emanuel Barreto, que pedala regularmente na orla, critica a falta de prudência. “Não tem mais como andar. Antes o problema era o pedestre na ciclovia; agora tem esses equipamentos que passam feito um vulto, podendo bater e derrubar quem está na bicicleta comum”, desabafa.

O impasse ocorre mesmo com a existência de regras claras. A portaria nº 049/2026 do DMTT determina que patinetes elétricos podem circular em ciclovias e espaços compartilhados com velocidade máxima de 20 km/h, enquanto as bicicletas elétricas podem chegar a 25 km/h. O cumprimento dessas normas, contudo, ainda depende mais do bom senso do usuário do que da fiscalização efetiva.

A expectativa da GoJet é que, com o tempo, o modal deixe de ser apenas uma novidade de orla para se integrar ao cotidiano de trabalhadores e universitários. “A expansão de área ou de frota dependerá exclusivamente da demanda e de futuras tratativas com o Poder Público”, conclui o assessor da empresa.

*Sob supervisão da Editoria.

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