TRATAMENTOS
Casa Fecha Feridas vira esperança contra amputações em diabéticos
Unidade aposta em palmilhas 3D; lei pretende garantir atendimento em até 12 horas para casos de risco
Com uma taxa de 45 amputações por 100 mil habitantes — quase o dobro da média nacional —, Alagoas enfrenta um grave desafio de saúde pública. Em Maceió, a Casa Fecha Feridas Prof. Isaac Soares de Lima surge como estratégia para enfrentar esse cenário, realizando 500 procedimentos mensais e mantendo uma fila de espera de 120 pacientes.
Nos últimos cinco anos, o estado registrou altos índices de amputações, competindo com Sergipe e Piauí. Segundo a Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular (SBACV), Alagoas liderou a alta de cirurgias de membros inferiores pelo SUS em 2023: um salto de 214% em uma década, passando de 182 para 571 procedimentos anuais.
Cerca de 60% dos atendidos na Casa Fecha Feridas têm mais de 59 anos e vivem em áreas vulneráveis. Na capital, a maioria vem do Jacintinho, Prado e Trapiche. Do interior, destacam-se Rio Largo, Murici e Porto de Pedras.
ASSISTÊNCIA E INTEGRAÇÃO
Vinculada à Uncisal, a unidade oferece consultas, curativos, exames de doppler colorido, desbridamentos, escleroterapia e confecção de palmilhas 3D.
O diretor médico, Guilherme Pitta, ressalta que o impacto da Casa nas estatísticas ainda é limitado pela falta de integração formal com as secretarias de Saúde. “Sem a contratualização, não entramos formalmente no sistema para monitorar índices e garantir orçamento fixo”, lamenta.
Para Pitta, o foco deve ser a Atenção Básica. “Precisamos treinar médicos e enfermeiros de UPAs, UBSs e UDAs para identificar a gravidade do pé diabético. O tempo é decisivo: feridas graves exigem atendimento em até 12 horas para evitar a amputação. Se tivermos diagnóstico precoce, melhoramos muito”, afirma, citando a importância da Lei Nº 7.591/2024.
A nova legislação prevê a capacitação de profissionais e a criação de centros multidisciplinares com regulação imediata.
INOVAÇÃO E PESQUISA
A unidade também investe em tecnologia via PPG Biotec, desenvolvendo Botas de Unna, pomadas à base de água de coco e polainas compressivas. Entre os projetos estão a especialização em Doenças Vasculares para médicos municipais e a **Casa Rosada**, oficina que produzirá órteses e próteses com custo 80% menor que o de mercado.
“ELES ACREDITAM MAIS DO QUE A GENTE”
A unidade recebe pacientes de todo o estado, incluindo Sertão e Agreste. Para o ex-motorista Jeovandes Silva, 41, o serviço foi a salvação de sua mobilidade. Com diabetes há dez anos, ele quase perdeu o pé esquerdo. “Ouvi de um médico que a amputação era certa, mas aqui me acolheram e hoje estou ficando bom. Eles acreditam na nossa recuperação mais do que nós mesmos”, conclui.