VIOLÊNCIA
Facção que torturava moradores em Campo Alegre é desarticulada pela PC
Entre métodos descobertos estão o ato de quebrar membros do corpo dos desafetos e tiros de chumbinho
Uma facção criminosa que se autodenomina “Neutro” e é coligada ao grupo nacional Primeiro Comando da Capital (PCC) é investigada pela Polícia Civil de Alagoas por estabelecer um sistema de domínio territorial para o tráfico de drogas em Campo Alegre, no Agreste de Alagoas, baseado em tortura. A polícia diz ter desarticulado a ação do bando que provocou uma onda de terror na cidade.
Entre os métodos descobertos estão o ato de quebrar membros do corpo dos desafetos, como as mãos, e tiros com espingarda de chumbinho para castigar sem matar. As sessões de tortura eram monitoradas por transmissões de vídeo pelos líderes da organização. Conforme apurou a Gazeta, o comando da facção Neutro em Campo Alegre passou por três fases distintas de liderança em decorrência de intervenções policiais e conflitos externos. A organização iniciou as atividades sob a chefia de um indivíduo conhecido como "Rato". Após a execução de Rato no dia 12 de julho do ano passado, na cidade de Jaboatão dos Guararapes, em Pernambuco, a gestão foi assumida por "Rony". A sucessão ocorreu novamente após a prisão de Rony, que aconteceu em janeiro deste ano. Ele foi preso no estado do Rio de Janeiro.
Atualmente, o líder identificado pelas investigações é "PH", também conhecido como "Pantera". Segundo os registros policiais, PH assumiu o controle da facção utilizando métodos de violência física acentuada para consolidar o domínio territorial. A facção Neutro implementou em Campo Alegre o procedimento denominado "tribunal do crime". Este sistema é utilizado para subjugar moradores, integrantes da própria facção considerados "falhos", indivíduos suspeitos de colaborar com as forças de segurança ou membros de grupos rivais. O objetivo do tribunal é impor o medo e garantir a disciplina interna através de julgamentos conduzidos pelas lideranças.
Durante operação policial realizada na região pela Delegacia de Homicídios, sob a titularidade do delegado Roberto Batista, foram apreendidas duas armas de chumbinho utilizadas nas sessões de castigo. A operação da Polícia Civil resultou na prisão de um homem identificado como o "armeiro do tráfico". Este indivíduo era o responsável por realizar reparos nas armas e garantir que o braço armado da facção estivesse equipado para os confrontos contra grupos rivais e para a realização de execuções.
O delegado Roberto Batista afirma que a facção Neutro encontra-se desbaratada após as recentes intervenções policiais. A morte de lideranças operacionais e a prisão de membros da hierarquia logística reduziram a capacidade da organização de realizar atos ostensivos de violência na cidade. Relatos colhidos pela polícia junto à população de Campo Alegre indicam que os criminosos não exercem mais o mesmo nível de controle e terror que era registrado anteriormente.
A população relatou às autoridades uma mudança na percepção de segurança, afirmando que os criminosos se sentiam "à vontade" para realizar os julgamentos do tribunal do crime antes das operações de repressão. No entanto, as atividades investigativas da DHPP continuam em andamento no município. O objetivo da polícia é solucionar todos os homicídios registrados e localizar os foragidos para impedir a reorganização do grupo.