JÚRI POPULAR
Caso Davi Silva: julgamento de PMs chega ao 2º dia após quase 12 anos do desaparecimento
A abordagem ocorreu no Benedito Bentes, em 2014, quando Davi foi colocado na viatura policial
Um nó na garganta que dura quase 12 anos. Esse é o período desde que o adolescente Davi Silva, de 17 anos, desapareceu após ser abordado pela polícia — e que marca o início de um dos casos mais emblemáticos de Alagoas. O júri começou nessa segunda-feira (4) e será retomado nesta terça-feira (5).
A abordagem ocorreu no Benedito Bentes, em 2014, quando Davi foi colocado na viatura policial.
Ele estava com o amigo Raniel Victor Oliveira da Silva, que foi liberado após a ação policial. Desde então, o corpo de Davi nunca foi encontrado.
A investigação apontou que a vítima foi sequestrada, torturada e morta pelos policiais militares Eudecir Gomes de Lima, Carlos Eduardo Ferreira dos Santos, Victor Rafael Martins da Silva e pela ex-militar Nayara Silva de Andrade.
O pai de Davi, Cícero Lourenço da Silva, acompanhou o julgamento, realizado no Fórum Desembargador Jairon Maia Fernandes, em Maceió, e afirmou querer a verdade. Ele chegou a passar mal.
Já a mãe do adolescente, Maria José, feirante que nunca se calou, morreu em dezembro de 2025 sem ver o desfecho do processo.
Cícero afirmou que a família quer justiça e espera que os policiais suspeitos pelo desaparecimento do filho apresentem ao menos um vestígio — “nem que seja um fio de cabelo” — que ajude a esclarecer o caso.
O julgamento chegou a ser marcado outras duas vezes: em outubro de 2025 e, depois, no dia 13 de abril.
Os quatro policiais militares acusados de homicídio duplamente qualificado e ocultação de cadáver respondem ao processo em liberdade.
Uma das testemunhas afirmou que também foi abordada pela guarnição da PM, mas liberada em seguida.
Depois, pegou um ônibus e não viu a viatura se aproximar, nem Davi ser colocado nela, pois estava de costas. “Somente depois ouvi que Davi teria sido levado e Raniel liberado. Não olhei muito para os policiais porque estava com medo.”
Os policiais militares acusados negam que tenham matado e ocultado o corpo de Davi.