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AMOR AOS FILHOS

Mães por inteiro: cuidar de si mesmas também é forma profunda de amar os filhos

Mulheres deixam o mito da anulação e mostram que autocuidado traz saúde emocional e exemplo

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Thaís, que é mãe de Malu e Mel, conta que precisou viver um 'reencontro' consido mesma após a maternidade
Thaís, que é mãe de Malu e Mel, conta que precisou viver um 'reencontro' consido mesma após a maternidade | Foto: REPRODUÇÃO

Em meio às madrugadas em claro, entre lancheiras, reuniões, plantões, brinquedos espalhados pela casa e listas de tarefas, muitas mulheres passaram anos acreditando que ser mãe significava desaparecer de si mesmas. Mas um movimento silencioso e cada vez mais forte vem transformando esse pensamento. Mães estão entendendo que cuidar de si também é uma forma profunda de amar os filhos.

Neste Dia das Mães, histórias de mulheres que encontraram no autocuidado não um luxo, mas uma necessidade, revelam uma maternidade mais humana, equilibrada e consciente. Elas treinam, trabalham, estudam, saem com amigas e cultivam a própria individualidade, exercendo o papel de mãe com presença, afeto e entrega.

A fisioterapeuta Thaís Veras, de 42 anos, mãe de Malu (9) e Mel (5), é um exemplo disso e conta que precisou viver um processo de reencontro consigo mesma após a maternidade. “Eu sempre ficava por último”, relembra. Há cerca de quatro anos, ela percebeu que precisava mudar a própria rotina para conseguir cuidar melhor das filhas. “Entendi a importância de ter momentos de solitude e manter constância na atividade física. Isso fez diferença em todos os aspectos da minha vida”.

Como muitas mães, Thaís enfrentou a culpa ao tentar reservar um tempo para si, mas encontrou formas de equilibrar a rotina: treina enquanto as crianças ainda dormem e aproveita pequenos intervalos do dia para desacelerar. “No início, eu sentia bastante culpa. Achava que estava deixando minhas filhas de lado. Com o tempo, entendi que esses momentos não me afastam delas”, afirma.

Apesar de parecer fácil, Thaís conta que precisa fazer escolhas todos os dias diante de tantas demandas. “Não é fácil! Existe uma ilusão de que damos conta de tudo, mas ninguém dá. O que eu busco é manter uma organização, com uma rotina estruturada para conciliar a maternidade, os plantões, a vida de casal, a vida social e o autocuidado. Na prática, todos os dias eu preciso escolher o que será prioridade”, destaca.

Ela diz acreditar que as filhas aprendem diariamente, por meio do exemplo, que amor não precisa significar anulação. “Minhas filhas já entendem que é possível amar e cuidar sem se anular. Elas veem que eu trabalho com o que gosto e que isso faz parte de quem eu sou. Também percebem a importância de cuidar do corpo e da mente e entendem que eu tenho momentos só meus. Acho que isso ensina muito sobre equilíbrio e identidade”, conclui.

A servidora pública Débora Rodrigues, de 35 anos, mãe de Cecília (2), viveu uma transformação semelhante. Nos primeiros meses da maternidade, sentia falta da mulher que existia antes do nascimento da filha. “Eu havia assumido o papel de mãe com todo o meu amor, mas sentia falta da ‘Débora’ que existia antes de tudo isso”, revela.

Débora Rodrigues é mãe de Cecília
Débora Rodrigues é mãe de Cecília | Foto: REPRODUÇÃO

Com o tempo, percebeu que precisava voltar a olhar para si com carinho. Hoje, acordar mais cedo para tomar um café em silêncio, praticar atividade física ou encontrar as amigas tornou-se parte fundamental de sua saúde emocional. “Entendi que me priorizar em alguns momentos não me fazia menos mãe; pelo contrário, me tornava uma mãe melhor, mais leve e paciente. Quando estou bem comigo, consigo oferecer uma versão melhor de mim para minha família”, afirma Débora.

Ela destaca que esse cuidado também é uma forma de educação. “Quero que a Cecília cresça entendendo que podemos amar nossa família com dedicação, sem abrir mão de quem somos e da nossa individualidade. Se cuidar não diminui o amor pelos filhos. Pelo contrário, fortalece”, finaliza.

Essa nova forma de viver a maternidade também faz parte da realidade de Flávia Borges, de 37 anos, mãe de Agatha (3). O estopim para a mudança aconteceu após um esgotamento físico e emocional causado pela rotina intensa dos primeiros meses da filha. Ela decidiu “virar a chave” e voltar a se priorizar.

Flávia Borges é mãe de Agatha
Flávia Borges é mãe de Agatha | Foto: REPRODUÇÃO

“Apesar de ser um desafio constante equilibrar todos os pratinhos, eu tenho uma rotina de trabalho flexível, o que me possibilita acompanhar o crescimento da filha e ter um momento bacana com esposo, familiares e amigos. Todos os meses vou ao salão de beleza. O autocuidado é essencial. Não abro mão. Hoje, me sinto mais centrada e com mais paciência quando tenho esses momentos de escape da rotina”, destaca.

Os filhos aprendem muito mais pelo exemplo do que pelo discurso. Quando crescem vendo mães que se respeitam, cuidam da saúde física e emocional e preservam seus sonhos, tendem a compreender, desde cedo, a importância do equilíbrio. Cuidar de si e cultivar o amor-próprio também é uma forma de dizer aos filhos: eu te amo e quero que você tenha uma vida plena. É um sentimento que nasce do amor-próprio e ultrapassa barreiras na construção de um futuro mais saudável.

Como afirma Débora: “Quando a Cecília crescer, espero que ela se lembre de uma mãe amorosa, dedicada e presente, mas também de uma mulher que não deixou de existir depois da maternidade. Quero que ela aprenda que é possível amar o outro sem abandonar a si mesma”.

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