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DELMIRO GOUVEIA

Policial civil é indiciado por matar dois colegas dentro de viatura no Sertão de Alagoas

Investigação conclui que chefe de operações agiu por traição e impossibilitou a defesa das vítimas

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Imagem ilustrativa da imagem Policial civil é indiciado por matar dois colegas dentro de viatura no Sertão de Alagoas

O policial civil e chefe de operações da Delegacia de Delmiro Gouveia, Gildate Goes Moraes Sobrinho, foi indiciado nessa quarta-feira (17) por duplo homicídio qualificado pelos assassinatos dos colegas de corporação Yago Gomes Pereira e Denivaldo Jardel Lira Moraes, em Delmiro Gouveia, no Sertão de Alagoas. Para a Polícia Civil de Alagoas, o homem agiu de forma a impossibilitar a defesa das vítimas, mediante traição.

As vítimas foram mortas dentro de um carro no dia 20 de maio deste ano. Uma delas foi atingida por um tiro na nuca, enquanto a outra recebeu um disparo no lado direito da cabeça.

Os três policiais haviam saído no dia 19 de maio para cumprir um mandado de prisão contra um homem que estava com pensão alimentícia em atraso. Após a ocorrência, seguiram para um bar localizado na cidade de Piranhas. Segundo a Polícia Civil, o trio começou a beber por volta das 18h30.

Ao longo da noite, as investigações apontam que eles consumiram cerca de dez rodadas de bebidas artesanais, deixando o estabelecimento pouco depois da meia-noite. Garçons também relataram que os policiais estavam em clima de confraternização, sem qualquer conflito aparente.

As investigações indicam que o crime ocorreu após a saída dos policiais do bar, já na cidade de Delmiro Houveia. Yago Gomes e Denivaldo Jardel estavam sentados nos bancos da frente do veículo, enquanto Gildate ocupava o banco de trás.

Os procedimentos investigativos não conseguiram identificar a motivação do crime. Isso porque Gildate, durante dois interrogatórios na delegacia, afirmou não se lembrar do que aconteceu dentro do veículo. No entanto, a Polícia Civil não acredita que as mortes tenham sido premeditadas. A hipótese levantada é a de que, possivelmente, tenha ocorrido uma discussão dentro do carro.

Para o delegado Sidney Tenório, que presidiu a comissão responsável pela investigação, não há dúvidas de que Gildate matou os dois colegas de corporação.

“Desde o primeiro momento já não tínhamos dúvidas. Várias oitivas foram realizadas. Os indícios da participação dele são muito robustos”, afirmou a autoridade policial.

Segundo o delegado Flávio Dutra, 18 pessoas foram ouvidas durante o inquérito policial. Quatro delas são testemunhas oculares que afirmaram ter ouvido dois disparos em um intervalo de quatro a seis segundos.

“Logo após, elas contam que o veículo parou e Gildate desceu do banco de trás com a arma em punho. Depois saiu como se não tivesse destino. Tanto que seguiu por uma rua, enquanto a casa da mulher para onde ele foi fica em direção oposta”, relatou Dutra.

Logo após cometer o crime, Gildate foi para a casa de uma companheira, localizada em Delmiro Gouveia. A mulher contou em depoimento que ele chegou embriagado, guardou a arma de fogo sobre um armário e foi dormir.

Os exames toxicológicos realizados nos três policiais, de acordo com o delegado Dutra, deram negativo para o uso de entorpecentes ou medicamentos controlados. Eles apontaram, entretanto, que o policial Yago estava com 2,1 gramas de álcool por litro de sangue, enquanto Denivaldo apresentava 2,3 gramas por litro. Já o exame de Gildate teve resultado negativo para álcool.

Contudo, a autoridade policial explicou que esse resultado é irrelevante, uma vez que Gildate realizou o exame após um intervalo de tempo considerável. Além disso, outras provas apontam de forma contundente que ele estava embriagado.

Outro indício que pesa contra o policial é o exame de comparação balística entre os projéteis utilizados no crime e a arma de fogo de Gildate. A perícia constatou que foram encontrados dois estojos deflagrados e uma munição intacta dentro do veículo. Segundo a autoridade policial, isso demonstra que não houve disparo falho. Além disso, foi comprovado que os dois estojos foram disparados pela mesma arma de fogo.

A perícia também confirmou que os disparos partiram da arma utilizada por Gildate em seu trabalho como policial civil.

“A perícia nos celulares foi realizada e não trouxe nenhum fato relevante que comprovasse qualquer tipo de premeditação. Todas as conversas entre eles eram profissionais. Não havia intrigas, nem menções desonrosas ou agressivas contra as vítimas. Pode ter ocorrido uma discussão dentro do carro, mas as únicas pessoas que poderiam explicar o que aconteceu estão mortas, e Gildate afirmou em interrogatório que não se recorda. Ele tem o direito de dizer isso”, finalizou o delegado Flávio Dutra.

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