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ATUAÇÃO ACADÊMICA

Ufal expande cursos e lidera rankings apesar de retenção orçamentária

Universidade enfrenta deterioração de infraestrutura, mas preserva assistência estudantil para garantir bons resultados

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Universidade conseguiu executar R$ 4,5 milhões em manutenção
Universidade conseguiu executar R$ 4,5 milhões em manutenção | Foto: ASSESSORIA UFAL

A Universidade Federal de Alagoas (Ufal) enfrenta em 2026 uma de suas maiores crises orçamentárias recentes. Do orçamento total de R$ 1,27 bilhão autorizado para este ano, o Governo Federal liberou efetivamente apenas R$ 447,2 milhões até o mês de julho. A retenção de 64,8% dos recursos impõe uma rotina rígida de contenção de despesas. Ainda assim, a universidade expandiu sua atuação acadêmica e registrou avanços em avaliações nacionais e internacionais.

Em junho de 2026, a Ufal subiu 15 posições no Center for World University Rankings (CWUR), destacando-se como a única instituição do Nordeste a avançar na classificação global. Na pós-graduação, a última avaliação da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) apontou que a Ufal liderou o crescimento de notas em programas de mestrado e doutorado entre as 20 universidades federais da região, enquanto o número de pesquisadores bolsistas de produtividade do CNPq saltou de 80 para mais de 230 nos últimos anos. Em paralelo, neste mês de julho, a instituição inicia a primeira turma de seu novo curso de Inteligência Artificial e mantém negociações com o Ministério da Educação (MEC) para implantar outras graduações em áreas estratégicas para o desenvolvimento local.

Sob a gestão do reitor Josealdo Tonholo, a universidade lida com um repasse real de recursos que, corrigidos os valores históricos, equivale ao orçamento praticado em 2009. Naquela época, contudo, a estrutura da Ufal era consideravelmente menor: o Campus do Sertão sequer existia, a unidade de Arapiraca estava em fase inicial de implantação e o número de estudantes matriculados em Maceió era 30% menor do que o atual.

Mesmo assim, a Ufal atraiu cerca de 40 empresas globais, viabilizando projetos que vão desde ações de mitigação de danos ambientais decorrentes da mineração em Maceió até soluções em tecnologia de dados voltadas para programas nacionais do MEC, como o Pé de Meia e a plataforma do livro didático. De acordo com o reitor, essa articulação externa tem sido vital. "A Ufal está sobrevivendo graças a esses recursos. Cada um desses projetos de pesquisa alavanca recursos no CNPq, na Capes, na Finep ou na iniciativa privada. E a gente usa para compensar a falta do orçamento oficial", explica Tonholo.

A escassez de verbas de custeio — cujo valor aprovado de R$ 129,2 milhões acumula defasagem inflacionária de 30% na última década — impacta diretamente a infraestrutura. Dos R$ 47 milhões a R$ 50 milhões anuais estimados para a manutenção predial básica, a universidade conseguiu executar apenas R$ 4,5 milhões. A reitoria diz priorizar a assistência estudantil, mantendo o funcionamento do Restaurante Universitário e o pagamento de bolsas aos alunos. Foram cortados gastos como os R$ 500 mil anuais destinados a contratos de alimentação externa. Sobre a decisão, o reitor reforça que "o RU é sagrado. Se não tiver de barriga cheia, o estudante não consegue estudar."

Dos compromissos de R$ 1,19 bilhão já empenhados pela universidade para garantir o funcionamento das aulas e dos serviços, o déficit gerado pela falta de repasses efetivos da União alcança R$ 825,4 milhões. Projeções internas apontam que, caso o orçamento de custeio mantenha a média histórica de crescimento de 1,15% ao ano, a defasagem inflacionária acumulará nova perda real de 12% no poder de compra da Ufal até 2032, o que equivale a R$ 18,8 milhões a menos para gerir a estrutura nos próximos seis anos. A gestão alerta que, embora a mobilização de técnicos, docentes e estudantes tenha evitado a paralisia das atividades, o desgaste da infraestrutura física e a sobrecarga mental da comunidade acadêmica operam atualmente no limite da capacidade.

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