CONQUISTARAM AS RUAS
Frota eletrificada cresce 300% em dois anos e desafia infraestrutura de condomínios
Instalação de carregadores deixa de ser restrita ao alto padrão e exige planejamento para evitar sobrecargas
“Se todo mundo tiver um carro elétrico aqui no prédio, será que vai ter espaço? Eu fico pensando onde vai instalar, como vai ficar. São muitos questionamentos que passam na minha mente. Por isso, estou pensando em comprar um carro a combustão”. A dúvida do aposentado Manoel Carvalho resume a preocupação de consumidores que desejam trocar de veículo, mas veem a infraestrutura de recarga como obstáculo para aderir à mobilidade elétrica.
Enquanto os modelos elétricos e híbridos conquistam as ruas de Alagoas, os condomínios enfrentam o desafio de adaptar suas garagens. Segundo a Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE), o estado alcançou 9.367 veículos eletrificados em fevereiro de 2026 — número quase 300% maior que o registrado no mesmo período de 2024. Desse total, Maceió concentra 6.605 unidades, o equivalente a 70,5% da frota estadual.
Para a administradora de condomínios Solange Syllos, a procura deixou de ser pontual. “O morador quer saber como instalar o carregador, quais documentos precisa apresentar e quais regras deve seguir. Mais do que responder pedidos individuais, os condomínios precisam começar a planejar sua infraestrutura elétrica”, afirma. As dúvidas mais frequentes envolvem viabilidade técnica, impacto no consumo, divisão de custos e procedimentos de instalação.
A discussão ganhou força com a Lei Estadual nº 9.733/2025, que regulamenta a instalação de carregadores em condomínios. A legislação garante ao proprietário o direito de fixar um ponto de recarga em sua vaga privativa, desde que apresente projeto elaborado por profissional habilitado, ART ou RRT, medição individualizada e cumpra as normas da ABNT. Quando esses requisitos são atendidos, a assembleia não pode impedir a instalação, embora o condomínio continue responsável por fiscalizar a segurança da obra.
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Nos empreendimentos mais novos, muitas construtoras já entregam a infraestrutura preparada. Nos edifícios antigos, contudo, projetados quando o consumo de energia era menor, são necessários estudos técnicos para verificar se a rede suporta a nova carga sem comprometer a segurança.
O Corpo de Bombeiros Militar de Alagoas, em parceria com a Equatorial e o Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (CREA) de Alagoas, elaborou o Manual da Recarga Segura. Segundo a corporação, o principal erro é permitir instalações sem acompanhamento profissional, o que pode provocar sobrecarga, curto-circuito e incêndios. A recomendação é evitar tomadas convencionais. Os carregadores devem ter circuito exclusivo, proteção elétrica adequada e dispositivos de desligamento de emergência, já que o combate a incêndios em baterias de íons de lítio difere do combate em veículos a combustão.
A Equatorial Alagoas orienta que os condomínios comuniquem previamente qualquer projeto. Após receber a documentação, a distribuidora realiza a análise em até 30 dias. Se houver necessidade de reforço da rede, um estudo define as adequações e a responsabilidade pelos custos, conforme as normas da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL). A concessionária também recomenda planejamento coletivo da infraestrutura elétrica, mesmo que poucos moradores possuam veículos eletrificados no momento.