PROPRIEDADE RURAL
Flores são irrigadas via Wi-Fi em Chã Preta
Tecnologias de automação, manejo integrado e consultoria em design floral impulsionam polo de plantas de clima temperado
O cultivo de flores ornamentais de clima temperado está consolidando um novo polo produtivo na Zona da Mata alagoana, impulsionado pela introdução de automação agrícola, técnicas avançadas de manejo e estratégias de pós-colheita. Em um circuito técnico que percorreu propriedades rurais nos municípios de Viçosa, Atalaia e Chã Preta, agricultores da região apresentaram resultados práticos que variam desde o controle da irrigação à distância, por rede sem fio, até podas de condução projetadas para duplicar a produtividade por muda sem elevar os custos operacionais.
Entre as inovações tecnológicas que ganham espaço no campo, destaca-se a automação do sistema de irrigação via Wi-Fi, implementada na Fazenda Val Paraíso, em Chã Preta. A ferramenta permite ao produtor programar, monitorar e acionar o gotejamento dos canteiros em tempo real, diretamente pelo celular, utilizando a rede sem fio residencial. A propriedade, que iniciou as atividades com uma estufa e dois canteiros em produção, já prepara a expansão da estrutura física para absorver a crescente demanda do setor.
No controle fitossanitário dentro das estufas, o manejo integrado vem substituindo práticas convencionais por soluções sustentáveis de baixo custo. Na propriedade PlantGrama, localizada no povoado Olhos D’Água, em Atalaia — onde a produção atinge 10 canteiros em atividade —, a aposta foi no uso de armadilhas cromáticas adaptadas com garrafas e tinta atrativa. A técnica atrai e captura insetos que atacam as pétalas, reduzindo a necessidade de defensivos químicos e preservando o padrão estético das hastes, exigência central do mercado consumidor.
A busca por maior rentabilidade também passa por testes de campo na Fazenda Esperança, em Viçosa, unidade que funciona como estufa-laboratório para o grupo de agricultores. No local, desenvolve-se uma técnica de poda de beliscamento (desbaste do broto apical) para induzir a ramificação lateral do crisântemo, conhecido no setor como “flor de ouro”. A meta do procedimento é dobrar o número de hastes comerciais geradas por cada muda, mantendo fixos os custos com insumos e mão de obra. Com o incremento da produção e a construção de novas estufas, o projeto na propriedade prevê saltar de 12 mil para 26 mil mudas até dezembro, com potencial de colheita estimado em até 52 mil hastes.
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O impacto socioeconômico da atividade reflete-se na diversificação da agricultura familiar local. Em propriedades do Sítio Pedra de Fogo, em Viçosa, o plantio de crisântemos passou a dividir espaço com culturas tradicionais, como a macaxeira e hortaliças, garantindo uma nova fonte de renda regular às famílias. Paralelamente, a busca por variedade levou propriedades como a Fazenda São Luiz a apostar no cultivo da flor tango e de folhagens ornamentais, espécies essenciais para a montagem de arranjos e buquês.
Para assegurar que o crescimento no campo se traduza em viabilidade financeira, a cadeia produtiva na Zona da Mata foi estruturada para mitigar gargalos históricos de logística e pós-colheita. O trabalho inclui consultoria especializada em design floral para orientar os produtores sobre a padronização e o valor agregado do produto, além de uma parceria comercial com a distribuidora Bruno Flores. A logística integrada garante o escoamento contínuo das safras, abastecendo floriculturas, feiras livres e o mercado de decoração de eventos em Alagoas e em estados vizinhos do Nordeste.