POLÍTICA
Quando o Itamaraty vira palanque: a politização da diplomacia no caso do tarifaço
Estamos num avião sem piloto”
Eliseu Resende, hoje um senador septuagenário, era candidato ao governo de Minas, em 1982, contra Tancredo Neves. Inexperiente, cometeu um erro ao criticar a idade do adversário: “Não podemos entregar o Estado a quem, numa idade provecta, não pode sustentar o peso da administração.” Tancredo não passou recibo. Foi à TV elogiar o rival e acabar com ele: “Konrad Adenauer deixou o governo da Alemanha aos 80 anos, após reconstruir o país. Já o jovem Nero…”
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Governo Lula fingiu negociar e torceu pelo tarifaço
O governo Lula (PT) esperou até os 45 minutos do segundo tempo para realizar qualquer negociação significativa com os Estados Unidos no caso do tarifaço do governo americano. Além de o próprio presidente Lula antagonizar o governo Trump sempre que podia, em seus comícios pré-eleitorais, até o Ministério das Relações Exteriores, responsável pela diplomacia, passou a fazer politicagem em comunicado oficial, insinuando que as Forças Armadas dos EUA poderiam invadir o Brasil.
Sem tempo hábil
Jamieson Greer, representante de Comércio dos EUA, revelou que as “reuniões construtivas” com o Brasil só começaram nas últimas seis semanas.
Esforço nenhum
Até então, o governo havia enviado duas cartas ao governo americano e realizado apenas uma reunião de alto nível: a visita de Lula a Trump.
Ideia única
O efeito desejado pela administração petista é que o tarifaço produza uma nova alta nas pesquisas de opinião, como ocorreu no ano passado.
Governo vê vitória
Quem pagará a conta do tarifaço não será o governo Lula, mas principalmente os exportadores e os trabalhadores atingidos.
Oposição desconfia de corpo-mole de Mauro Vieira
Deputados não vão desistir de ouvir o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, que não compareceu à Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional e escapou de explicar algumas lorotas envolvendo Brasil e Estados Unidos. A oposição articula nova convocação e, agora, quer saber, por exemplo, se o Itamaraty soube antecipadamente que as tarifas seriam aplicadas e, mesmo assim, pouco fez, como suspeita o deputado Helio Lopes (PL-RJ), que cobrou detalhamento da negociação.
Roteiro eleitoral
Lopes diz que o governo usa o Pix para acusar opositores e inflamar discursos ideológicos nacionalistas: “grave negligência diplomática”, diz.
Motivo master
O deputado cobra explicações sobre as visitas de Daniel Vorcaro a Lula, no Palácio, já que os Estados Unidos destacaram a corrupção por aqui.
Dividendos nas urnas
Outra frente já pediu ao Tribunal de Contas da União que investigue o impulsionamento de anúncios do governo Lula sobre o assunto.
Lionel Bolsonaro
Nikolas Ferreira (PL-MG) fez uma analogia futebolística para explicar a exclusão de Jair Bolsonaro do processo eleitoral deste ano e comparou a situação a uma eventual exclusão do jogador argentino Lionel Messi da Copa.
Crise de gestão
Jorge Seif (PL-SC) não engoliu a justificativa de “crise climática” para a alta na inadimplência no agronegócio. Diz o senador que o problema é uma crise de gestão: “um governo que prefere atacar quem produz a ajudar quem alimenta”.
Alô, PGR
Marcel Van Hattem (Novo-RS) levou à PGR a falta de Mauro Vieira na convocação da Comissão de Relações Exteriores da Câmara. A oposição acusa o chanceler de cometer crime de responsabilidade.
Presidente Moraes
Até o fim do mês, o Supremo Tribunal Federal funciona sob a presidência do ministro Alexandre de Moraes. Moraes divide com Edson Fachin o comando da Corte durante o recesso do Judiciário, entre 2 e 31 de julho.
Só isso
Não deve ir muito além dos choramingos de Mauro Vieira a reação diplomática às falas de Marco Rubio, que culpou Lula pelo tarifaço. O petista já foi orientado a não rebater o secretário de Estado dos EUA.
Me engana que eu gosto
Segundo a rede de televisão CBS, autoridades do alto escalão do governo Trump refutaram a alegação de que a política teve qualquer influência na decisão dos EUA de impor um novo tarifaço contra o Brasil.
Estratégia martelada
A nota da liderança do PT no Senado, divulgada ontem (16), utilizou a palavra “soberania” impressionantes doze vezes. “Lula”, por exemplo, foi citado apenas duas vezes.
Criatividade master
Jaques Wagner, ex-líder de Lula no Senado que deixou o cargo após virar alvo da PF no caso Master, disse que os EUA impuseram restrições ao Brasil “por conta da criatividade da nossa gente, que criou o Pix”.
Pensando bem…
…o governo Lula ama tanto imposto que gosta até de tarifaço.