ATIVIDADE ECONÔMICA
BC: prévia do PIB mostra desaceleração da economia
Índice do Banco Central teve queda de 0,2% em dezembro ante o mês anterior


A atividade econômica do Brasil terminou 2025 com crescimento de 2,5% ao mostrar novo ímpeto no quarto trimestre com impulso da agropecuária e do setor de serviços, de acordo com dados divulgados pelo Banco Central nessa quinta-feira (19).
O IBC-Br (Índice de Atividade Econômica do BC), considerado um sinalizador do PIB (Produto Interno Bruto), teve em dezembro queda de 0,2% na comparação com o mês anterior, em dado dessazonalizado que foi melhor do que a expectativa em pesquisa da Reuters de retração de 0,5%.
O índice fechou assim o quarto trimestre com avanço de 0,4% ante os três meses anteriores, em dado dessazonalizado, mostrando retomada do ritmo após queda de 0,83% entre julho e setembro.
Esse resultado mostra ainda aceleração da economia se comparado com dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), que apontam crescimento de 0,1% no terceiro trimestre. O IBGE divulgará os dados do PIB do quarto trimestre e de 2025 em 3 de março.
Na comparação com dezembro do ano anterior, o IBC-Br teve ganho de 3,1%, segundo números não dessazonalizados.
Analistas indicavam uma desaceleração da economia brasileira em 2025 —após o PIB ter crescido 3,4% em 2024— em meio à política monetária restritiva, mas com o mercado de trabalho forte dando algum impulso.
"Projetamos crescimento do PIB de 0,2% (no quarto trimestre), ligeiramente acima do trimestre anterior, mas ainda compatível com trajetória de desaceleração gradual da atividade", afirmou Leonardo Costa, economista do ASA.
Em janeiro, o BC decidiu manter a taxa básica de juros Selic em 15%, mas indicou o início do ciclo de cortes na reunião de março.
A abertura dos dados do BC mostra que, em dezembro, houve alta de 2,3% na agropecuária e de 0,3% na indústria, mas os serviços retraíram 0,3%.
Números do IBGE mostraram que, no último mês do ano, houve fraqueza entre as atividades. A produção industrial recuou 1,2% em dezembro sobre novembro, queda mais forte em quase um ano e meio.
As vendas varejistas recuaram 0,4% no mês, maior queda do ano, enquanto o volume de serviços teve contração inesperada de 0,4% em dezembro ante novembro.
Já no quarto trimestre a agropecuária registrou expansão de 2,8% e os serviços cresceram 0,5%, enquanto a indústria caiu 0,2%.
A agropecuária também foi destaque em 2025 ao crescer 13,1%, segundo os dados do BC, com os serviços expandindo 2,1% e a indústria, 1,5%. Descartada a agropecuária, o IBC-Br ainda aponta avanço de 1,8% da economia no ano passado.
"No caso do agro, a forte expansão da produção de grãos da safra 2024/25 foi favorecida pelas condições climáticas e pelo aumento das exportações", disse Rafael Perez, economista da Suno Research. "Já o setor de serviços exibiu crescimento robusto, puxado sobretudo por serviços empresariais, transportes e comércio. Esse desempenho refletiu o avanço da renda das famílias ... e a maior digitalização da economia", complementou.
O IBC-Br é construído com base em proxies representativas dos índices de volume da produção da agropecuária, da indústria e do setor de serviços, além do índice de volume dos impostos sobre a produção.
Após a divulgação do IBC-Br, as taxas dos DIs (Depósitos Interfinanceiros) operavam em alta nesta manhã dessa quinta-feira. Às 9h37, a taxa do DI para janeiro de 2028 estava em 12,61%, em alta de 2 pontos-base ante o ajuste de 12,592% da sessão anterior. Na ponta longa da curva, a taxa do DI para janeiro de 2035 marcava 13,4%, com elevação de 6 pontos-base ante 13,339%.
O movimento também foi corroborado pelo avanço dos rendimentos dos Treasuries.
