TRABALHO
Alagoas é sexto do País com menor desigualdade salarial, diz ministério
Levantamento divulgado pelo governo federal mostra que mulheres recebem 11,2% menos que os homens
Alagoas aparece entre os estados com menor desigualdade salarial, ocupando a quarta colocação no Nordeste e a sexta no Brasil, com índice de 88,8%, segundo o 5º Relatório de Transparência Salarial e de Critérios Remuneratórios, divulgado ontem (27) pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).
Ainda em Alagoas, as mulheres recebem no setor privado, em média, 11,2% menos do que os homens. O percentual é bem abaixo do que os 21,3% registrados no Brasil, segundo o documento, que toma como base o período entre 2023 e 2025.
No Brasil, os dados revelam que os estados com menor desigualdade salarial são Acre (91,9%), Piauí (92,1%), Distrito Federal (91,2%), Ceará (90,5%), Pernambuco (89,3%), Alagoas (88,8%) e Amapá (86,9%). Já os maiores níveis de desigualdade foram registrados no Espírito Santo (70,7%), Rio de Janeiro (71,2%) e Paraná (71,3%).
Na Região Nordeste, Alagoas aparece na quarta melhor colocação. Na primeira posição está o Piauí (92,16%), seguido do Ceará (90,5%) e Pernambuco (89,3%). Os piores índices da região estão na Bahia (79,7%), Rio Grande do Norte (80,7%), Paraíba (82,2%), Maranhão (83,6%), Sergipe (83,7%). Os com maior desigualdade salarial são Espírito Santo (70,7%), Rio de Janeiro (71,2%) e Paraná (71,3%).
Em Alagoas foram analisadas 467 estabelecimentos com 100 ou mais empregados, de acordo com dados da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS). No país, o total chegou a 53 mil empresas.
Apesar de destaque com um dos menores percentuais de desigualdade salarial, as mulheres que trabalham no setor privado em Alagoas têm uma das menores remunerações médias do Nordeste, com R$ 2.720, maior apenas do que a Paraíba (2,5 mil).
DADOS DO MTE
Segundo o MTE, o estudo mostra aumento da presença feminina no mercado de trabalho. No país, o número de mulheres empregadas cresceu 11%, passando de 7,2 milhões para 8 milhões — um acréscimo de 800 mil trabalhadoras. Entre mulheres negras (pretas e pardas), o crescimento foi de 29%, passando de 3,2 milhões para 4,2 milhões, o que representa mais 1 milhão de ocupadas.
Também houve aumento no número de estabelecimentos com pelo menos 10% de mulheres negras, que chegou a 21.759, crescimento de 3,6% em relação a 2023.
A massa de rendimentos das mulheres subiu de 33,7% para 35,2%. Ainda assim, para alcançar participação equivalente à presença feminina no emprego (41,4%), seria necessário um acréscimo de R$ 95,5 bilhões nos rendimentos.
De acordo com o 5º Relatório de Transparência Salarial e de Critérios Remuneratórios, apesar dos avanços no emprego, a desigualdade salarial aumentou levemente; do ponto de vista estatístico, trata-se de estabilidade. Em 2023, as mulheres recebiam 13,7% a menos no salário mediano de contratação; agora, a diferença é de 14,3%. No rendimento médio, a diferença passou de 20,7% para 21,3%.
Por outro lado, cresceu o número de estabelecimentos com menor desigualdade. Aqueles com até 5% de diferença no salário mediano aumentaram 3,8%, chegando a cerca de 30 mil. Já os com até 5% de diferença no rendimento médio cresceram 4,3%, totalizando 17,4 mil.
SOBRE A LEI
A Lei nº 14.611, sancionada em 3 de julho de 2023, reforça a igualdade salarial e de critérios remuneratórios entre homens e mulheres, alterando o artigo 461 da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). Empresas com 100 ou mais empregados devem adotar medidas para garantir essa igualdade, incluindo a promoção da transparência salarial, a fiscalização contra a discriminação, o estabelecimento de canais de denúncia, a implementação de programas de diversidade e inclusão e o apoio à capacitação de mulheres.