PESQUISA
Inflação oficial do País fica em 0,67% e é a maior para abril em 4 anos, diz IBG
IPCA desacelera na comparação com março (0,88%), mas volta a refletir os impactos da guerra no Irã
A inflação oficial do Brasil, medida pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), desacelerou a 0,67% em abril, após marcar 0,88% em março, disse o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) nessa terça-feira (12).
Apesar da trégua frente ao mês anterior, a taxa de 0,67% é a maior para abril em quatro anos, ou seja, desde 2022 (1,06%). O novo resultado veio em linha com a mediana das projeções do mercado financeiro, que também era de 0,67%, conforme a agência Bloomberg.
O grupo alimentação e bebidas seguiu pressionando o IPCA em abril, assim como a gasolina. A situação é associada a restrições de oferta de alimentos nesta época do ano e a impactos da guerra no Irã, que elevou as cotações do petróleo.
No acumulado de 12 meses, a inflação acelerou a 4,39%, após marcar 4,14% na leitura anterior. O ganho de força se explica pelo fato de que o IPCA havia subido menos em abril do ano passado (0,43%).
Ao alcançar o patamar de 4,39%, o índice se aproximou do teto de 4,5% da meta de inflação perseguida de maneira contínua pelo BC (Banco Central). Economistas projetam variação próxima a 5% ao final deste ano.
ALIMENTOS PUXAM IPCA
O grupo alimentação e bebidas registrou alta de preços de 1,34% no IPCA de abril. O avanço foi menos intenso do que o verificado em março (1,56%).
Ainda assim, o segmento teve a maior variação dos nove grupos pesquisados e exerceu o principal impacto no índice (0,29 ponto percentual).
O ramo de saúde e cuidados pessoais veio na sequência (1,16% e 0,16 p.p.). Juntos, os dois grupos representaram, aproximadamente, 67% do resultado do mês.
Segundo o IBGE, a alta de saúde e cuidados pessoais reflete a pressão dos produtos farmacêuticos (1,77%) com a autorização do reajuste de até 3,81% nos medicamentos a partir de 1° de abril. Artigos de higiene pessoal (1,57%), com destaque para o perfume (1,94%), também influenciaram.
Dentro de alimentação e bebidas, a alimentação no domicílio (em casa) aumentou 1,64%.
Houve impacto da carestia da cenoura (26,63%), do leite longa vida (13,66%), da cebola (11,76%), do tomate (6,13%) e das carnes (1,59%). Do lado das quedas, o IBGE citou o café moído (-2,3%) e o frango em pedaços (-2,14%).
A alimentação fora do domicílio, em locais como bares e restaurantes, registrou alta de 0,59%.
Conforme o gerente do IPCA, Fernando Gonçalves, dois fatores podem explicar o novo aumento de alimentação e bebidas: a redução da oferta de produtos nesta época do ano e a carestia do óleo diesel com a guerra no Irã.
O diesel subiu 4,46% em abril, após disparar 13,9% em março. A alta do terceiro mês de 2026 foi a maior em mais de duas décadas, desde novembro de 2002 (14,63%).
"Vários desses componentes, como cenoura, cebola e tomate, têm questões de oferta por conta da restrição do produto para o consumidor, mas também pode haver uma pressão por conta do frete", disse Gonçalves.
"Boa parte do escoamento da nossa produção é via rodovia. Vai por caminhões abastecidos com diesel", completou.
Quando a análise do IPCA considera os bens e serviços de forma individual, a maior pressão em abril veio da gasolina (0,10 p.p.), seguida pelo leite longa vida (0,09 p.p.).