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Bolsa cai 1,2%, e dólar sobe para R$ 5,13 com tensão global

Ataques no Oriente Médio e fechamento de Hormuz elevaram risco nos mercados

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Moeda norte-americana passou toda a segunda-feira no positivo
Moeda norte-americana passou toda a segunda-feira no positivo | Foto: — Divulgação

O dólar fechou em alta de 0,48% nessa segunda-feira (13), cotado a R$ 5,131, com a retomada do conflito entre Estados Unidos e Irã no foco principal das negociações. A moeda passou o dia no positivo, tendo atingido a máxima de R$ 5,139 no pico da sessão.

Os negócios tiveram como pano de fundo o novo bloqueio no estreito de Hormuz, via marítima por onde passa 20% da produção mundial de petróleo e gás, que aumentou a aversão ao risco entre os investidores. O barril do Brent, referência internacional, voltou a rondar a casa dos US$ 83 nesta sessão.

O movimento da commodity puxou as ações da Petrobras para cima, que chegaram a disparar mais de 3%. O avanço da petroleira, porém, não foi capaz de reverter as perdas da Bolsa, que fechou em queda de 1,19%, a 175.739 pontos.

O mercado de juros futuros também foi contaminado pela aversão ao risco, com quase todos os pontos da curva em alta. A taxa de DI (Depósito Interfinanceiro) para janeiro de 2028 estava em 14,005%, avanço de 0,14 ponto percentual. O contrato para janeiro de 2035 estava em 14,38%, ganho de 0,12 ponto.

Os DIs ainda pegaram carona na alta dos rendimentos dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos, as treasuries. O contrato com vencimento em dez anos —referência global para decisões de investimentos— subiu 0,05 ponto percentual, a 4,613%.

"Os mercados financeiros refletiram uma combinação de fatores geopolíticos e monetários. Parte desse movimento continua relacionada ao aumento da aversão ao risco diante do conflito entre Estados Unidos e Irã", afirma Bruno Cordeiro, analista de Inteligência de Mercado da StoneX.

Os dois países voltaram a trocar ataques na semana passada, que continuaram nesta segunda-feira. Em meio à escalada militar, o presidente Donald Trump anunciou que deve cobrar 20% sobre toda a carga que passar pelo estreito de Hormuz.

As falas de Trump acirraram a percepção de risco, com o petróleo ultrapassando a cotação de US$ 83 —antes, estava cotado em torno de US$ 80.

Apesar das declarações do republicano, o Irã reforçou que não abre mão do controle sobre o canal marítimo. No sábado (12), a Guarda Revolucionária do país já havia anunciado o fechamento do tráfego em Hormuz.

Entre os investidores, o principal temor é de uma interrupção no envio da commodity —e de um novo choque energético, como o do início do conflito, em fevereiro.

A leitura é que, com o petróleo mais alto, as pressões sobre a inflação aumentam, demandando de bancos centrais de todo o mundo uma política monetária mais restritiva. "O aumento da incerteza mantém elevados os riscos para a oferta global de energia, a inflação e a atividade econômica", diz a equipe da XP Investimentos em relatório para clientes.

A maior preocupação é com os juros do Federal Reserve, o banco central dos EUA, que têm o potencial de rebalancear os mercados globais. Quando os Fed Funds sobem, os rendimentos dos títulos de renda fixa norte-americanos (treasuries, em inglês) acompanham, atraindo capital que antes estava alocado em praças de renda variável, sobretudo emergentes, consideradas mais arriscadas.

Ontem, o diretor do Fed, Christopher Waller, afirmou que talvez o banco central precise aumentar as taxas de juros "no curto prazo" se os próximos dados mostrarem que a inflação continua bem acima da meta de 2%. Para ele, a política monetária dos EUA está em uma "encruzilhada".

"Ficar olhando severamente para a inflação até que ela derreta diante do nosso olhar fulminante não é uma opção", disse Waller. Novos dados são esperados nesta terça-feira e devem ajudar a calibrar as projeções sobre os juros americanos.

Na visão de Bruno Cordeiro, da StoneX, o mercado deve continuar sensível às declarações de dirigentes do Fed ao longo da semana, "uma vez que novos sinais sobre a condução da política monetária americana podem provocar novos movimentos nos ativos globais".

"A perspectiva de juros mais altos nos Estados Unidos aumenta a atratividade dos títulos do Tesouro americano [treasuries], considerados os ativos de menor risco do mercado global. Como consequência, há uma migração de recursos para esses papéis, reduzindo o interesse por ativos de maior risco, como moedas de países emergentes e bolsas de valores."

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