COMÉRCIO EXTERIOR
Usinas alagoanas serão mais impactadas pelas tarifas dos EUA
Mesmo com as cotas sem taxas destinadas pelo governo americano para o açúcar, a rentabilidade será reduzida
As usinas alagoanas serão as companhias mais impactadas com as tarifas de 25% anunciadas pelos Estados Unidos na quarta-feira (15). A análise é de Carlos Murillo Barros, chefe de açúcar para as Américas na Hedgepoint Global Markets.
De acordo com ele, o impacto nas exportações de açúcar pelas usinas do Nordeste será significativo, mesmo com o governo dos EUA destinando ao Brasil uma cota anual de aproximadamente 150 toneladas de açúcar sem incidência de imposto.
Carlos Murillo diz que isso torna o benefício "extremamente rentável para as usinas nordestinas", proporcionando margens significativamente superiores às obtidas nas vendas para o mercado doméstico ou para o mercado internacional livre.
"Com a imposição da tarifa adicional de 25%, essa rentabilidade será reduzida de forma importante. Ainda assim, exportar para os Estados Unidos continua sendo mais vantajoso do que destinar esse açúcar ao mercado interno ou ao mercado internacional sem preferência tarifária", ressalta..
Levantamento divulgado pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) revela que as exportações alagoanas para os Estados Unidos renderam US$ 9,7 milhões (cerca de R$ 49,7 milhões no câmbio atual). O montante é 79,8% menor do que os US$ 48,2 milhões movimentado no primeiro semestre do ano passado.
Apenas em junho, a venda de produtos alagoanos para o país norte-americano rendeu US$ 22,2 mil, uma retração de 99,8% na comparação com junho do ano passado.
Um estudo divulgado nessa sexta-feira (17), pela Agência Brasileira para Promoção de Exportações e Investimentos mostra que os estados de São Paulo e Santa Catarina concentram 52% do impacto do mais recente tarifaço anunciado pelos Estados Unidos (EUA) contra o Brasil. Dos US$ 7,4 bilhões em vendas afetadas pelas tarifas de 25%, US$ 3 bilhões têm origem em São Paulo.
O estado economicamente mais forte do país concentra, sozinho, 41,6% do total do valor das exportações afetadas. Isso representa 20% de exportações paulistas aos EUA. Considerando o total das exportações afetadas, Santa Catarina tem uma situação mais crítica, com 68% das exportações aos EUA afetadas.