COMÉRCIO EXTERIOR
Setor produtivo pede negociação e rapidez após nova tarifa dos EUA
Entidades afirmam que a sobretaxa compromete a competitividade de produtos manufaturados
O anúncio de uma nova tarifa de 12,5% imposta pelos Estados Unidos acendeu o sinal de alerta no setor produtivo brasileiro. Enquanto o agronegócio ficou praticamente imune aos impactos da medida, a indústria nacional desponta como a principal afetada pelo "tarifaço" e passou a cobrar agilidade e pulso firme do governo federal.
A principal reivindicação das entidades de classe é que o Palácio do Planalto priorize a via diplomática e negocie diretamente com Washington, descartando uma retaliação imediata por meio da Lei da Reciprocidade, estratégia que o setor privado avalia como arriscada.
A reação do mercado reflete o peso do novo imposto. Com o recente acréscimo, a taxa total sobre determinados produtos manufaturados exportados para o mercado norte-americano pode atingir o patamar de 37,5% — resultado da soma da nova alíquota com os 25% anunciados no último dia 15.
Segundo estimativas divulgadas pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), cerca de 3,9 mil produtos brasileiros serão atingidos conjuntamente pelas duas tarifas, gerando um impacto potencial de US$ 12,4 bilhões nas exportações. Outros 75 produtos (13% do total exportado), equivalentes a US$ 1,6 bilhão, estarão sujeitos exclusivamente à nova taxa.
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A justificativa de Washington para a barreira comercial, apresentada pelo órgão de comércio dos EUA, baseia-se na alegação de que o Brasil não possui leis rigorosas o suficiente para combater o trabalho forçado. No entanto, lideranças industriais brasileiras contestam o argumento.
O presidente executivo da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), José Velloso, apontou que a medida tem cunho estritamente político e surge como uma resposta do Executivo americano a uma exigência da Suprema Corte daquele país, que havia proibido a taxação sem fundamentação explícita.
Em contrapartida, o governo brasileiro reagiu classificando a decisão como "completamente arbitrária e injustificada". O Palácio do Planalto informou que iniciará de forma imediata os trâmites para acionar os mecanismos da Lei de Reciprocidade e levará o contencioso à Organização Mundial do Comércio (OMC).
Apesar do tom combativo do governo, o empresariado teme as consequências de uma escalada na disputa. A Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham) alertou que 85,3% das exportações do país para os EUA serão afetadas pela sobretaxa máxima, o que tende a desestruturar cadeias produtivas integradas, encarecer custos e retrair o comércio bilateral.
O presidente da Amcham Brasil, Abrão Neto, reforçou que o entendimento bilateral é o caminho mais eficaz para mitigar os prejuízos e evitar repasses inflacionários a empresas e consumidores de ambas as nações. O temor é compartilhado pela Abimaq, que prevê reflexos imediatos no segmento de máquinas e equipamentos.