COMBUSTÍVEIS
Alagoas registra maior queda do Brasil no preço do diesel
Valor do combustível recuou 7,97% na primeira quinzena de agosto, aponta pesquisa
Alagoas registrou a maior queda percentual do País no preço médio do diesel comum na primeira quinzena de agosto. O valor recuou 7,97% em relação ao mesmo período de julho e chegou a R$ 7,16 por litro, segundo o Índice de Preços Edenred Ticket Log (IPTL) divulgado nessa quinta-feira (20).
A redução ficou bem acima da média nacional, que caiu 1,31%, para R$ 6,78 por litro, em média. Apesar da maior queda percentual, Alagoas não teve o menor preço médio do país. O Paraná registrou R$ 6,11, enquanto Roraima teve o maior valor, de R$ 8,26.
Para o economista Anderson Henrique, o resultado precisa ser analisado diante das fortes oscilações registradas no estado nos últimos meses. “Alagoas não vem numa trajetória estável de queda, vem indo de um lado para o outro. Em fevereiro o estado teve a maior alta do diesel comum do país: 3,29%. Em junho, virou de novo e liderou a maior queda, 8,70%. Agora em agosto, nova queda forte, quase 8%”.
Segundo Henrique, o resultado pode estar relacionado ao efeito de base, já que a comparação é feita com um período anterior de preços mais elevados, além da influência de movimentos pontuais de concorrência entre os postos.
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“Isso é sinal de efeito de base, o estado está comparando com um patamar que já tinha subido antes, somado a uma amostra menor e mais sensível a movimento pontual de concorrência entre postos.”
O economista também cita a queda do petróleo no mercado internacional como um dos fatores que vêm pressionando os preços dos combustíveis para baixo no Nordeste.
Apesar da queda de quase 8% do diesel comum, Henrique ressalta que o resultado não representa uma redução equivalente no custo do transporte de cargas. Isso porque grande parte da frota utiliza o diesel S-10, exigido pelos motores mais novos.
Na média nacional, o S-10 caiu apenas 0,42%, para R$ 7,08 por litro, enquanto o diesel comum recuou 1,31%. “Os 7,97% são do diesel comum. Mas a maior parte da frota de carga roda com S-10, que é o exigido pelos motores mais novos. E o S-10 não caiu quase nada, 0,42% na média nacional, contra 1,31% do comum. Então o alívio que a transportadora sente na prática é bem menor do que os quase 8% da manchete”, explica.
No S-10, Pernambuco teve a maior queda entre os estados, de 2,79%, para R$ 6,98. O Rio Grande do Sul registrou o menor preço médio, de R$ 6,28, e Roraima, o maior, de R$ 8,23.
A redução do diesel pode afetar os custos de transporte e, consequentemente, os preços de produtos que dependem do frete. O repasse, porém, não ocorre necessariamente de forma imediata ou proporcional.
Segundo Henrique, o frete representa apenas uma parte dos custos de um produto, que também incluem insumos, mão de obra e margem. Além disso, contratos e estoques podem atrasar a chegada da variação aos preços finais.
“O repasse é parcial, frete é só uma parte do custo, tem insumo, mão de obra, margem. Segundo, o repasse demora, leva semanas ou meses pra aparecer na prateleira porque tem contrato e estoque já formado no meio do caminho”, diz.
O economista também cita a assimetria conhecida na literatura como “rockets and feathers”, em que os preços tendem a subir mais rapidamente quando os custos aumentam e a cair mais lentamente quando eles diminuem.
“Não dá pra esperar que uma queda concentrada num único estado, e um estado com esse histórico de oscilação forte, vire queda proporcional na comida do alagoano”, ressalta.
O Sindicombustíveis-AL afirma que o mercado brasileiro de combustíveis opera sob regime de livre comércio e ampla concorrência. Segundo a entidade, as oscilações nas bombas variam conforme a estrutura de custos, despesas operacionais e estratégias comerciais de cada empresa.
O sindicato ressalta que não monitora, interfere ou controla os preços praticados pelos postos, que têm autonomia para definir os valores.
A entidade também afirma não acompanhar o ritmo de repasse dos preços ao consumidor final e, portanto, não dispõe de dados para determinar se os reajustes são aplicados de forma imediata ou gradual.