DÍVIDAS
Crédito fácil e juro alto deixam quase metade dos alagoanos inadimplentes
Em agosto, a taxa de alagoanos adultos que estavam há mais de três meses sem quitar suas contas atingiu 47,87%
A taxa de consumidores alagoanos inadimplentes atingiu 47,87% em agosto, segundo dados divulgados nessa segunda-feira (21) pela Serasa Experian. Na comparação com julho, o percentual ficou estável. Já na comparação com o mesmo mês do ano passado, quando a taxa era de 46,61%, houve uma alta de 1,26 ponto percentual.
Segundo o serviço de crédito, o percentual de inadimplentes adultos em Alagoas no mês de agosto é o quarto maior do Nordeste. O Ceará lidera o ranking, com 52,28%, seguido do Rio Grande do Norte (52,28%) e de Pernambuco (50,91%).
Em agosto, 60,6 mil alagoanos conseguiram renegociar suas dívidas, o segundo menor volume do Nordeste, à frente apenas de Sergipe, onde 46,2 mil consumidores deixaram a inadimplência.
Em todo o País, os dados da Serasa mostram que há 83,9 milhões de pessoas com dívidas atrasadas há mais de 90 dias, o que representa pouco mais da metade (51%) da população adulta.
Estrutura metálica desaba em obra da Ponte do Futuro e deixa trabalhador morto
Vídeo mostra últimos momentos de jovem encontrada morta em condomínio de Fortaleza
Balde de água fria no aniversário do CRB - 21/09/2026
Incêndio atinge apartamento na Ponta Verde
Acidente na BR-101 deixa feridos em Porto Real do Colégio
O cartão de crédito lidera as contas atrasadas do brasileiro, com 27,2% das dívidas em aberto, seguido das contas básicas (21,1%) — como luz, água e gás —, e de faturas de financeiras (19,9%) e serviços (11,6%), segundo dados da Serasa.
A facilidade de acesso ao crédito, especialmente nos anos de pandemia, levou muitos brasileiros a se endividarem quando se viram sem renda, afirma Flávio Ataliba, pesquisador associado do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre).
O juro alto agravou a situação. A taxa básica de juros, a Selic, foi de 2% ao ano em 2020 para a casa de 15% – hoje está em 13,75%. O empréstimo foi ficando mais caro. Nas linhas de crédito pessoal, as taxas de juros vão além da Selic, podendo chegar a três dígitos ao ano.
Para Bianka Amaral, especialista da Serasa em educação financeira, a questão, porém, vai além da facilidade de acesso ao crédito. "É um cenário diverso. O crédito é utilizado para diferentes finalidades na vida de cada consumidor", afirma.
A expansão de acesso ao crédito para a pessoa física pode ser observada nos dados do Banco Central. Em março de 2011 (data mais antiga disponível), a concessão de crédito para pessoas físicas somava R$ 213,7 bilhões em valores atualizados pela inflação. Em julho de 2026, o montante saltou para R$ 406,4 bilhões – um incremento de 90%.
Segundo a Serasa, entre 2016 e 2026, o número de inadimplentes aumentou 38,1% e o volume total de dívidas teve um salto de 54,9%.
A partir de 2010, o acesso ao crédito ficou mais fácil. Isso ocorreu com a chegada de novos players no mercado financeiro, como as fintechs, com a digitalização dos bancos grandes e o estímulo do governo a algumas modalidades de empréstimos, como o Financiamento Estudantil (Fies) e o Minha Casa Minha Vida.
Em 2018, as fintechs passaram a ter autonomia do Banco Central para conceder crédito de forma direta para a população. Antes, atuavam como correspondentes de bancos.
*Com informações do UOL.