TRANSIÇÃO ENERGÉTICA
Fiea participa da Semana do Clima e destaca potencial do Nordeste para energia limpa
Evento nos EUA reuniu representantes de Brasil, México e Colômbia para discutir transição energética
A Federação das Indústrias do Estado de Alagoas (Fiea) participou, na quarta-feira (23), da Semana do Clima, em Nova York, por meio do painel Regional Perspectives, promovido pela Coalizão de Energia Limpa da América Latina (LACEC). A instituição foi representada pelo vice-presidente José da Silva Nogueira Filho e pelo diretor de Tecnologia, Inovação e Sustentabilidade Industrial, Julio Zorzal.
Presente no México e na Colômbia, a LACEC chegou ao Brasil tendo Alagoas como ponto de partida para a agenda nacional de transição energética com foco na indústria. A atuação no país foi iniciada em setembro, com a assinatura de um Protocolo de Intenções em Maceió para ampliar a participação da coalizão no Brasil.
O painel reuniu representantes do Brasil, México e Colômbia para discutir caminhos de ampliação do acesso à energia limpa.
Para o Brasil, a coalizão destacou o potencial do Nordeste de atrair indústrias interessadas em produzir com energia limpa. Entre as prioridades apresentadas estão o armazenamento de energia, novas formas de contratação de fontes renováveis e o uso de eletrificação e bioenergia sustentável em processos industriais e frotas.
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Nogueira defendeu que as iniciativas de descarbonização já desenvolvidas por diferentes indústrias sejam conectadas. Segundo ele, a cooperação pode transformar projetos isolados em oportunidades de desenvolvimento, aproximando empresas, instituições de pesquisa, investidores e governos.
O vice-presidente da Fiea apontou o acesso ao financiamento, a infraestrutura de transmissão de energia e a formação de profissionais entre os desafios da região.
Ele observou que o Nordeste tem grande capacidade de geração, mas precisa fortalecer as redes de transmissão e avançar em soluções de armazenamento para aproveitar melhor esse potencial e atrair novas empresas.
Nogueira destacou a atuação conjunta das federações das indústrias nordestinas por meio do Nordeste Forte e lembrou que a rede de institutos de tecnologia do SENAI pode contribuir para o desenvolvimento de soluções em energias renováveis.
Também ressaltou o papel da Fiea na aproximação entre o setor produtivo e o poder público e a importância de trazer para a região parceiros com experiência e tecnologia.
Ao apresentar oportunidades concretas, citou a produção de etanol e o aproveitamento de resíduos da atividade sucroenergética para gerar biometano e outros combustíveis sustentáveis. Entre os exemplos de Alagoas, mencionou o projeto da Cooperativa Pindorama em parceria com a Veolia, voltado à produção de biometano e vapor verde.
Para Julio Zorzal, que também participou do painel, a forma como a LACEC apresentou os três países dá destaque ao papel do Brasil nessa agenda.
Enquanto o material aponta para o México o desafio de ampliar o acesso ao mercado e ao financiamento e, para a Colômbia, o de superar obstáculos na rede elétrica, a prioridade atribuída ao Brasil é inovar, aproveitando a oferta de energia limpa para fortalecer a competitividade industrial.
Na avaliação do diretor, a presença da Fiea no painel é uma oportunidade de mostrar como o Nordeste pode transformar seu potencial energético em projetos, investimentos e desenvolvimento de negócios sustentáveis.