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TRABALHO

Fim da escala 6x1: economista prevê ganhos de produtividade

Aliança Comercial prevê aumento dos custos operacionais para o varejo alagoano

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Trabalho: jornada máxima passará de 44 para 42 horas semanais
Trabalho: jornada máxima passará de 44 para 42 horas semanais | Foto: — Foto: Ailton Cruz

A aprovação da proposta que acaba com a escala de trabalho 6x1 e reduz a jornada semanal máxima de 44 para 40 horas abriu um debate sobre os possíveis efeitos da mudança para a economia. Em Alagoas, a Aliança Comercial prevê aumento dos custos operacionais para o varejo, enquanto o economista José Renan Laurentino avalia que a redução da jornada pode estimular a produtividade, o consumo e a geração de empregos.

O Sindicato dos Trabalhadores da Educação de Alagoas (Sinteal), por sua vez, defende os benefícios da medida para a qualidade de vida dos trabalhadores.

A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019 foi aprovada pelo Senado Federal em dois turnos na quarta-feira (14), com 75 votos favoráveis e um contrário em cada votação. O texto prevê dois dias de descanso remunerado por semana, sem redução salarial, e estabelece a redução gradual da jornada máxima semanal para 40 horas. A proposta segue para promulgação pelo Congresso Nacional.

Pelas regras aprovadas, a jornada máxima passará de 44 para 42 horas semanais 60 dias após a promulgação. Depois de mais 12 meses, o limite será reduzido para 40 horas. A mudança deverá exigir adaptações na organização das equipes, na distribuição das folgas e no planejamento das empresas.

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Para o economista José Renan Laurentino, a redução da jornada sem corte salarial não deve provocar aumento dos preços de produtos e serviços. Ele avalia que o tempo adicional de descanso poderá estimular o consumo e movimentar setores da economia ligados ao lazer, ao turismo e aos serviços.

“Essa redução, sem mexer no salário, não vai de forma alguma provocar aumento de preços de produtos ou serviços, mas pode, sim, estimular a produtividade e o consumo”, afirmou.

Segundo Laurentino, o trabalhador poderá utilizar o tempo livre para passeios, atividades de lazer e experiências de consumo, com possíveis reflexos sobre a economia local. Na avaliação dele, a mudança também pode favorecer o desempenho profissional ao ampliar as oportunidades de descanso e de convivência familiar. “O trabalhador vai ter produção melhor, porque vai descansar mais, vai ter tempo de atender à sua família, cuidar de si”, declarou.

O economista também relaciona jornadas prolongadas a problemas de saúde mental, como estresse, ansiedade e esgotamento. Para ele, a ampliação do descanso deve ser considerada não apenas pelo impacto na rotina profissional, mas também pelas condições de saúde e bem-estar dos trabalhadores.

Laurentino avalia ainda que a redução da jornada poderá contribuir para a geração de empregos, uma vez que algumas empresas poderão precisar ampliar as equipes para manter o funcionamento. Entre as possibilidades mencionadas por ele estão contratações temporárias e intermitentes, conforme as necessidades de cada atividade e a legislação aplicável.

O representante da Aliança Comercial, Guido Junior, apresenta uma avaliação diferente sobre os possíveis efeitos da mudança para o varejo. Segundo ele, a redução da jornada poderá elevar as despesas das empresas, especialmente nos estabelecimentos que precisam manter o atendimento durante toda a semana.

Guido estima que os custos operacionais poderão aumentar cerca de 10%, dependendo do ramo de atividade. O percentual foi apresentado pelo representante da entidade, mas ele não detalhou os estudos ou a metodologia utilizados para chegar à projeção. “Com certeza vai alterar ou contratar mais colaboradores ou reduzir horário”, afirmou.

De acordo com Guido, os comerciantes poderão precisar contratar funcionários para cobrir os períodos de descanso das equipes ou reduzir o horário de funcionamento. Ele também aponta os encargos relacionados às contratações como um dos fatores que podem elevar as despesas. “Será necessário avaliar as particularidades de cada segmento e as condições de implementação das novas regras para definir como as empresas poderão reorganizar as jornadas”, disse.

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