COMÉRCIO EXTERIOR
Tarifaço dos EUA reduz exportações de açúcar de Alagoas em 52,8%, diz estudo
Em um ano, a redução no Estado foi de US$ 39,3 milhões, equivalente a aproximadamente R$ 252 milhões
As exportações de açúcar de Alagoas para os Estados Unidos caíram 52,8% entre agosto de 2025 e julho de 2026, em comparação com os 12 meses anteriores. A redução foi de US$ 39,3 milhões, equivalente a aproximadamente R$ 252 milhões, segundo levantamento da Confederação Nacional de Municípios (CNM). O açúcar foi o principal produto alagoano afetado no comércio com os norte-americanos, conforme o estudo sobre os efeitos do tarifaço americano nas exportações dos municípios brasileiros.
Os dados mostram que o valor exportado pelo estado caiu de US$ 74,4 milhões, entre agosto de 2024 e julho de 2025, para US$ 35,1 milhões no período seguinte. A análise considera os resultados registrados após o início das medidas tarifárias anunciadas pelo governo dos Estados Unidos contra produtos brasileiros.
O levantamento foi divulgado pela CNM na segunda-feira (19) e analisou o desempenho das exportações municipais entre agosto de 2025 e julho de 2026, comparando os resultados com os 12 meses anteriores. Embora a queda tenha ocorrido durante a vigência das medidas comerciais, os dados, isoladamente, não permitem atribuir toda a retração exclusivamente às tarifas.
Segundo a CNM, 11% dos municípios de Alagoas mantiveram relações comerciais diretas com os Estados Unidos nos últimos dois anos. Desse grupo, 82% registraram queda no valor das exportações para o mercado americano, enquanto 18% apresentaram crescimento nas vendas. O estudo, no entanto, não detalha, na tabela estadual apresentada, quais cidades tiveram as maiores perdas.
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A participação dos municípios alagoanos no comércio com os Estados Unidos é menor do que a observada em estados com relações comerciais mais consolidadas com o mercado americano. No Espírito Santo, 68% dos municípios exportam para os Estados Unidos. No Rio de Janeiro, o percentual chega a 59%; em São Paulo, a 54%; e em Santa Catarina, a 53%. Em Minas Gerais, 29% dos municípios mantêm essa relação comercial. Pernambuco registra 20%, enquanto a Bahia tem 17%.
Nos últimos dois anos, 1.643 municípios brasileiros, o equivalente a 29,5% do total, mantiveram relações comerciais diretas com os Estados Unidos, abastecendo o mercado americano com produtos que vão de commodities agrícolas a bens manufaturados.
O impacto também aparece no resultado nacional. De acordo com a tabela da CNM, o valor das exportações brasileiras para os Estados Unidos caiu de US$ 41,47 bilhões, entre agosto de 2024 e julho de 2025, para US$ 34,77 bilhões no período de agosto de 2025 a julho de 2026. A diferença foi de aproximadamente US$ 6,7 bilhões, equivalente a R$ 55,1 bilhões. A variação representa uma queda de 16,2% no valor exportado.
Desse total, 271 municípios deixaram de registrar vendas para o mercado americano. Antes das medidas, essas cidades tinham receitas de R$ 588 milhões com exportações para os Estados Unidos. Outros 864 municípios continuaram vendendo produtos aos norte-americanos, mas tiveram uma queda média de 30% no valor exportado.
A entidade identificou ainda que 657 municípios afetados, o equivalente a 58% desse grupo, não conseguiram compensar a perda de vendas para os Estados Unidos com o aumento das exportações para outros parceiros comerciais.