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Inadimplência das famílias com bancos bate novo recorde

Índice chegou a 8,1% para as pessoas físicas, alta de 0,1 ponto percentual, diz BC

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Endividamento das famílias em relação à renda foi recorde
Endividamento das famílias em relação à renda foi recorde | Foto: Divulgação

A inadimplência das pessoas físicas no crédito voltou a bater recorde em setembro, segundo dados divulgados pelo Banco Central nessa quinta-feira (29), alcançando a maior marca da série histórica e a quarta alta mensal consecutiva.

O índice chegou a 8,1% para as pessoas físicas — alta de 0,1 ponto percentual em relação a agosto, quando o indicador já tinha alcançado o maior nível da série histórica, e expansão de 1,2 ponto percentual em 12 meses.

Esse indicador mede a dívida em atraso há mais de 90 dias em relação ao estoque total de empréstimos e considera o crédito livre, aquele cujas taxas são fixadas livremente pelos bancos, como o cheque especial e o financiamento imobiliário.

O nível de endividamento das famílias em relação à renda também atingiu patamar recorde, de 50,1% em agosto, alta de 0,2 ponto percentual em relação a julho e de 1,2 ponto percentual em 12 meses. Ou seja, mais da metade da renda familiar correspondia a dívidas.

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Os dados divulgados nessa quinta-feira também mostram alta no indicador que mede o percentual do orçamento familiar destinado ao pagamento de dívidas: de 28,8% para 29%.

Apesar do ciclo de redução da Selic, atualmente em 13,75% ao ano, as taxas de juros bancários voltaram a subir em agosto e setembro, após três meses de queda, segundo dados do BC.

Em setembro, o juro médio cobrado pelas instituições financeiras tanto de pessoas físicas quanto de empresas foi de 32,4% ao ano, alta de 0,2 ponto percentual em relação ao mês anterior.

"Não é possível dizer se é uma nova tendência de aumento de taxas ou algo pontual, de ajuste no nível médio", afirmou o chefe do departamento de estatísticas do BC, Fernando Rocha, na apresentação dos dados.

De acordo com Rocha, embora a Selic esteja em trajetória de queda, a transmissão da política monetária para a taxa de crédito não é direta. "Acho que a gente vai ter um momento de redução de taxas, mas você pode ter uma flutuação nesse processo", comentou.

Embora a inadimplência geral tenha se elevado na média, houve queda de 0,5 ponto percentual no rotativo do cartão de crédito. Essa linha, no entanto, permanece com juros em elevação: houve alta de 6,8 pontos percentuais em relação a agosto, totalizando um juro de 451,7% ao ano. Uma regra do BC limita as dívidas no cartão a, no máximo, 100% do valor inicial.

A tendência de alta na inadimplência permanece no crédito consignado, tanto para aposentados e pensionistas quanto no consignado privado total, impulsionado pelo governo Lula. Também houve alta de 0,5 ponto percentual nas dívidas do cheque especial.

No final de setembro, o Comef (Comitê de Estabilidade Financeira), órgão do Banco Central, mencionou endividamento em "patamar historicamente alto". Na última semana, o BC anunciou novas medidas para proteger consumidores contra abusos nas ofertas de crédito, além de conferir mais transparência antes da contratação de empréstimos.

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