LEVANTAMENTO
Valor da produção mineral de Alagoas soma mais de R$ 2 bi
Dados federais apontam o cobre liderando montante de recursos, com R$ 1,2 bilhão
O valor da produção mineral comercializada no estado de Alagoas ultrapassou a marca de R$ 2,04 bilhões em 2025, impulsionado pelo desempenho da extração do cobre e de outros bens minerais, segundo dados oficiais do Anuário Mineral Brasileiro compilados pela Agência Nacional de Mineração (ANM). O volume corresponde a um aumento de 24,3% ante o R$ 1,64 bilhão registrado no ano anterior.
A exploração do cobre assumiu a liderança absoluta na geração de valor no estado, com um faturamento superior a R$ 1,02 bilhão. No ranking das principais substâncias extraídas em solo alagoano, o metal é seguido pela produção de água mineral, que movimentou R$ 321,6 milhões, e pelo segmento de rochas para construção civil e fins industriais, responsável por R$ 213,9 milhões.
Dentro do grupo das substâncias metálicas acompanhadas pelo órgão regulador federal, Alagoas também se destaca na comercialização de ouro extraído sob o regime de concessão de lavra. A atividade contabilizou o envio ao mercado de 290 quilogramas de ouro contido, gerando um valor total comercializado de R$ 111,5 milhões no período.
Com esse resultado econômico, o estado de Alagoas passou a responder por 0,5% de todo o valor da produção mineral comercializada do Brasil, cujo montante nacional atingiu R$ 220,5 bilhões no ano-base de 2025.
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Como contrapartida pelo aproveitamento econômico de suas jazidas, a atividade extrativa gerou uma arrecadação de R$ 18,36 milhões em Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais (CFEM) no estado, tributo distribuído entre os municípios produtores, o governo estadual e a União.
O interesse pelo desenvolvimento de novos projetos minerais na região é evidenciado também na concessão de direitos minerários pela ANM, que outorgou 20 novas autorizações de pesquisa para prospecção de recursos no território alagoano.
Em todo o Brasil, a produção de substâncias metálicas e minerais estratégicos para a transição energética movimentou R$ 220,5 bilhões no período de 12 meses, impulsionada pelo domínio do minério de ferro e pela forte demanda internacional por commodities.
Os dados do Anuário Mineral Brasileiro, elaborado pela ANM com base nos relatórios anuais de lavra e na arrecadação tributária, indicam que o segmento de metálicos e grafita respondeu por cerca de 82% do valor total da produção mineral comercializada no país.
No comércio exterior, a atividade extrativa metálica garantiu um saldo positivo de US$ 42,0 bilhões para a balança comercial brasileira, resultado de US$ 59,9 bilhões em exportações contra US$ 17,9 bilhões em importações. A China manteve sua posição de principal parceiro comercial do setor, absorvendo US$ 22,7 bilhões em embarques, seguida por Estados Unidos (US$ 7,9 bilhões) e Canadá (US$ 4,0 bilhões).
HEGEMONIA DO FERRO
O minério de ferro permaneceu como o motor central da mineração nacional, representando 71% de todo o valor gerado pelas substâncias metálicas e pela grafita, o equivalente a R$ 159,7 bilhões em vendas e transferências.
Na pauta de exportações, a commodity respondeu isoladamente por US$ 40,2 bilhões do montante arrecadado. Outros destaques na pauta exportadora foram o alumínio (US$ 5,6 bilhões) e o cobre (US$ 5,0 bilhões).
A geração de riqueza da atividade extrativa segue fortemente concentrada em duas unidades da Federação: o Pará, líder nacional com 44,1% do Valor da Produção Mineral Comercializada (VPM), e Minas Gerais, responsável por 43,2%. Juntos, os dois estados concentram 87,3% do faturamento do setor no país.
A distância para os demais produtores é acentuada, figurando Goiás na terceira colocação, com 3,7%, e a Bahia em quarto, com 3,6%.
ROYALTIES
A arrecadação da Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais (CFEM) – os royalties devidos a municípios, estados e à União pelo aproveitamento econômico das jazidas – somou R$ 7,0 bilhões no ano-base analisado. A extração de ferro respondeu por R$ 5,84 bilhões desse total (83,3%), enquanto o cobre gerou R$ 424,5 milhões (6,1%) e o ouro, R$ 364,1 milhões (5,2%).
O parque produtor brasileiro contabiliza 274 minas metálicas em operação regular, das quais 83 são classificadas como de grande porte, com extração bruta de minério superior a 1 milhão de toneladas por ano. No mesmo período, o órgão regulador deferiu 4.996 novos títulos minerários, sendo 4.799 autorizações para pesquisa geológica, 56 concessões de lavra industrial e 141 permissões de lavra garimpeira.
EMPREGO
Em 2025, segundo o levantamento, as atividades relacionadas ao setor de minerais críticos e estratégicos em Alagoas somaram 1,2 mil empregos diretos e terceirizados, sendo o maior contingente de vagas concentrado na operação do Projeto Serrote (Mineração Vale Verde, em Craíbas).
Em todo o país, essas atividades somaram 129.423 empregos, o equivalente a 57% dos 226.634 postos da indústria extrativa mineral nacional. As unidades da federação que mais empregam são Minas Gerais (62.631 postos de trabalho), Pará (27.047) e Bahia (9.147).
Além dos dados sobre empregos, o painel permite consultar informações sobre o perfil dos trabalhadores, a remuneração média e as 21 substâncias relacionadas a essas atividades — entre elas, alumínio, ouro, ferro, cobre, terras raras, nióbio, titânio e lítio.
A análise do mercado formal de trabalho da indústria extrativa mineral na plataforma foi realizada a partir dos microdados da Relação Anual de Informações Sociais (Rais) e do Novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Novo Caged), disponibilizados pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).