COLUNA DO MARLON
O gol que não entra na súmula
-
Neste fim de semana, Alagoas terá três jogos capazes de mexer com o futuro dos seus principais clubes.
Neste sábado (15), o CSA recebe o Uberlândia tentando reverter a desvantagem e conquistar o acesso à Série C. No domingo (16), o ASA decide o mesmo objetivo contra o Goiatuba, em Arapiraca. Horas depois, o CRB enfrenta o Novorizontino em confronto direto pelo G6 da Série B.
Dentro de campo, estarão em disputa acessos, posições e projetos esportivos. Fora dele, outro campeonato começará bem antes de a bola rolar.
O ambulante colocará a bebida no gelo. O churrasqueiro acenderá o carvão. O vendedor separará camisas, bonés e bandeiras. Motoristas, flanelinhas, bares, lanchonetes e pequenos comerciantes também entrarão em campo.
Essa partida quase nunca aparece no noticiário. Contamos público, renda, posse de bola, finalizações e cartões. Mas não calculamos quanto um estádio cheio deixa nas mãos de quem vive do movimento ao seu redor.
Para muita gente, futebol não é apenas paixão. É trabalho. É a conta paga, a compra do mercado e a esperança de uma segunda-feira um pouco menos apertada. Quando a arquibancada pulsa, uma economia quase invisível também respira.
Não cabe romantizar a informalidade. Esses trabalhadores convivem com instabilidade, pouca proteção e uma renda dependente do calendário, do horário e até do momento dos clubes. Justamente por isso, precisam ser enxergados, organizados e incluídos no planejamento dos grandes jogos.
Também é por esse impacto que o investimento público no esporte deve ser discutido com seriedade. Não como favor aos clubes, muito menos como cheque em branco. Todo recurso exige transparência, fiscalização e retorno social. Mas cuidar dos estádios, garantir segurança e fortalecer o calendário também gera trabalho, consumo e circulação de renda.
CSA, ASA e CRB entrarão em campo buscando grandes resultados. Do lado de fora, centenas de alagoanos disputarão outro placar.
O gol mais importante talvez nem entre na súmula. Será marcado quando o trabalhador voltar para casa com o isopor vazio, a mercadoria vendida e o bolso um pouco menos apertado.