COLUNA DO MARLON
Ele ganhou a camisa; adultos perderam a vergonha
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Um menino de cerca de 8 anos foi à Neo Química Arena vestindo a camisa do Corinthians e carregando um cartaz com uma mensagem simples: “Sou muito corintiano, mas sou seu fã. Me dá tua camisa?”.
Em uma única frase, aquela criança demonstrou uma compreensão do futebol que parece faltar a muitos adultos ao fim de um clássico.
O Santos venceu por 1 a 0. Depois do apito final, Neymar viu o cartaz, aproximou-se do garoto e entregou a ele a camisa usada na partida. O menino foi às lágrimas. Era o encontro entre a admiração de uma criança e o gesto de um ídolo. Uma daquelas cenas que nos lembram que o futebol ainda pode ser afeto, sonho e memória.
Mas a alegria durou pouco. Torcedores que estavam próximos começaram a hostilizar o menino. A situação chegou a um ponto tão absurdo que ele e a família precisaram deixar o estádio pelo gramado, escoltados por policiais e seguranças.
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Uma criança precisou ser protegida pela polícia porque recebeu a camisa de um jogador do time adversário. É nesse momento que a história deixa de falar apenas sobre futebol e passa a revelar uma doença social.
O garoto soube separar paixão de intolerância. Era corintiano sem precisar odiar o Santos. Admirava Neymar sem diminuir o amor pelo próprio clube. Os adultos que o hostilizaram, porém, não conseguiram fazer a mesma distinção. Para eles, o adversário virou inimigo e a felicidade de uma criança passou a ser tratada como provocação.
Neymar teve grandeza ao enxergar o menino antes da camisa que ele vestia. O garoto teve maturidade para admirar um craque sem se deixar limitar pela rivalidade. Pequenos foram aqueles que transformaram um sonho infantil em medo.
Isso não é amor ao clube. Paixão que precisa intimidar uma criança para provar fidelidade tem outro nome: fanatismo. O menino voltou para casa com a camisa do seu ídolo. Aqueles adultos permaneceram no estádio, mas deixaram para trás algo muito mais valioso: a vergonha.
Rivalidade pertence ao placar. Respeito pertence à vida.