COLUNA DO MARLON
O futebol desfigurado
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Era a primeira vez que um jovem levava a namorada ao estádio. A ideia era dividir uma paixão. Eles voltaram para casa com o rosto fraturado e a notícia de que seriam necessárias duas cirurgias.
Uma pedra “veio do nada”. O medo, porém, veio com destino certo e para ficar. Na próxima partida, a namorada aceitará outro convite? E o pai desse jovem vai se lembrar do placar ou da cama de hospital?
Essa não é uma história fictícia. É real e aconteceu aqui, no Estádio Rei Pelé, durante a partida entre CRB e Sport. É a violência que não aparece na súmula, mas que expulsa o torcedor comum dos estádios.
Alagoas avançou no enfrentamento às facções infiltradas nas torcidas. A integração entre Polícia Militar, Polícia Civil, Ministério Público, Federação e clubes resultou em operações, levou dirigentes de torcidas organizadas ao banco dos réus e tornou o estado referência no combate à violência no futebol.
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Mas referência não é troféu para ficar na estante. Precisa ser atualizada.
CRB e Sport mostraram qual é o próximo desafio. A polícia conteve o confronto, identificou envolvidos e os conduziu à delegacia. Agora, a corrente não pode se romper na Central de Flagrantes.
É preciso avançar na identificação facial, no cadastro nacional, na aplicação de proibições interestaduais aos punidos e na responsabilização das lideranças. Quem pratica violência não pode atravessar uma divisa e recuperar o anonimato em Alagoas. A camisa pode ser coletiva. A responsabilidade precisa ter nome, rosto e CPF.
Não foi “confusão”. Foi violência. Quando há repetição e padrão, não se trata de acaso. Punir não é perseguir uma torcida. É proteger quem torce.
O pai resumiu a noite: “Sobrou para o meu filho”. É justamente isso que precisa acabar. O prejuízo não pode continuar sobrando para a vítima e para sua família.
A pergunta não é apenas quem lançou a pedra. É quem vai impedir a próxima.
Quando uma pessoa precisa reconstruir o rosto porque foi a um jogo de futebol, é o próprio futebol que está desfigurado.