NOVO CAMINHO
O futuro começa no Brasileirão
Mais jogo exige juventude e intensidade
Os insucessos da Seleção nos Mundiais são construídos antes das eliminações, num futebol que envelheceu, perdeu intensidade e reduziu o espaço dos jovens.
As regras contra a cera elevaram em mais de quatro minutos o tempo médio de bola rolando na Série A. Mas jogar mais exige correr mais e sustentar o ritmo que o futebol mundial transformou em obrigação.
No Brasileirão, cada atleta percorre 685 metros por partida acima de 20 km/h, abaixo das cinco ligas europeias. A idade média chegou a 28,5 anos. A participação dos brasileiros sub-23 caiu de 28,3% para 11,5% dos minutos entre 2020 e 2026.
É nesse cenário que o limite de estrangeiros cairá de nove para cinco até 2030. A nova lista de inscritos reservará mais vagas aos sub-23.
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Não se trata de rejeitar quem vem de fora. Estrangeiros de qualidade valorizam o campeonato. O problema é contratar um jogador mediano e bloquear a passagem de um jovem brasileiro.
Os críticos têm razão num ponto: nenhuma canetada forma talento. Sem bom trabalho na base e coragem na transição, a vaga aberta poderá ser ocupada por um brasileiro mais velho.
Ainda assim, a regra movimentará o mercado sub-23. Nas próximas cinco temporadas, os clubes serão estimulados a procurar e utilizar atletas que chegarão à idade de maior rendimento com mais jogos e experiência.
O Brasil não deixou de produzir talento. Deixou de esperar por ele. Exporta cedo, envelhece o campeonato e depois procura, na Copa do Mundo, uma Seleção que a própria competição nacional não ajudou a construir.
A próxima eliminação não começará no Mundial.
E a próxima conquista também não.