TRAGÉDIA
Novo terremoto atinge Venezuela após tremores que mataram ao menos 188
Com base na Escala Richter, o sismo de magnitude 4,0 dessa quinta é considerado de intensidade leve
Um novo terremoto voltou a atingir a Venezuela após tremores que deixam milhares de mortos e desaparecidos no país. Segundo informações da Fundação Venezuelana de Investigações Sismológicas (Funvisis), o abalo sísmico, de magnitude 4,0, atingiu o território venezuelano na tarde dessa quinta-feira (25).
Em um informe, a fundação afirmou que o tremor aconteceu por volta das 15h14 (cerca de 14h14 pelo horário de Brasília). Com base na Escala Richter, o sismo é considerado de intensidade leve.
A Funvisis afirmou que o evento foi registrado na cidade de Bachaquero, no estado de Zulia. O local está a aproximadamente 300 km de Yumare, onde aconteceu o epicentro dos terremotos de 7,2 e 7,5 na Venezuela.
De acordo com o órgão, o abalo dessa quinta é uma réplica dos terremotos do dia anterior e são tremores secundários, de menor intensidade, que acontecem logo após um abalo forte. Até o momento, autoridades venezuelanas já contabilizam 188 mortes em decorrência dos abalos sísmicos que atingiram a costa norte do país. Mais de 1.500 pessoas ficaram feridas.
O número de desaparecidos é incerto até o momento. Plataformas criadas por civis venezuelanos, contudo, contabilizam entre 30 mil e 40 mil pessoas sumidas. O governo da Venezuela ainda não divulgou um balanço oficial. Por causa da situação, a presidente interina, Delcy Rodríguez, decretou estado de emergência na Venezuela.
Um dos terremotos que atingiram a Venezuela na quarta-feira (24), de magnitude 7,5, é o mais forte registrado no país em mais de um século.
Não houve um terremoto tão forte desde o dia 29 de outubro de 1900, quando um sismo de magnitude 8 atingiu a capital, Caracas. Conhecido como o Terremoto de São Narciso, o evento resultou em 21 mortos e mais de 50 feridos, segundo a Fundação Venezuelana de Investigações Sismológicas.
Houve graves danos a edifícios públicos e residência particulares, com uma série de desabamentos, e a cidade ficou tomada por destroços. Ainda segundo o órgão venezuelano, após o terremoto houve vários outros efeitos geológicos, como deslizamentos, quedas de rochas e avalanches sísmicas.
O sismo de 1900 gerou mais de 250 réplicas, registradas ao longo de vários meses. Com isso, muitas pessoas foram desalojadas e passaram a viver em praças e terrenos baldios.
Nessa quarta, o tremor principal (de magnitude 7,5) ocorreu 39 segundos após o precursor (7,2), a uma distância de cerca de 45 km, ambos no norte do país, a sudeste de Yumare. Várias réplicas se seguiram a partir do primeiro sismo, que foi registrado às 18h04 no horário local (19h04 em Brasília), segundo informações do serviço sismológico dos Estados Unidos (USGS).
Segundo o USGS, os terremotos resultaram de um movimento de deslizamento lateral superficial próximo à fronteira entre as placas tectônicas do Caribe e da América do Sul. No local do terremoto, a placa do Caribe se move para leste em relação à América do Sul a uma taxa de cerca de 20 mm/ano.
De acordo com o órgão, uma sequência dupla de sismos —dois terremotos de magnitude semelhante que ocorrem em um curto intervalo de tempo e proximidade— "provavelmente indica um processo complexo de interação de rupturas".
O terremoto mais forte da história, de magnitude 9,5, ocorreu na região de Biobío, no Chile, em 1960. Ele resultou na morte de 1.655 pessoas, de acordo com algumas estimativas, e 6 mil de acordo com o governo. Mais de 2 milhões ficaram desabrigados, ou um em cada quatro chilenos na época.
Nem sempre sismos de grande magnitude, porém, causam os efeitos mais intensos na superfície. Uma área com solo instável, como areia ou argila, afirma o USGS em sua página oficial, provavelmente sofrerá efeitos muito mais perceptíveis do que uma área com solo firme, como o granito.
"A destrutividade de um terremoto depende de muitos fatores. Além da magnitude e das condições geológicas locais, esses fatores incluem a profundidade do foco, a distância do epicentro e o projeto de edifícios e outras estruturas. A extensão dos danos também depende da densidade populacional e da densidade de construções na área abalada pelo terremoto."