CONFLITO
Irã: EUA alteram número de militares mortos na guerra
Departamento de Defesa atribui mudança a ‘interrupções temporárias de dados’
Na quarta-feira (22), o Pentágono informou em seu site de baixas militares, que um total de 18 americanos haviam sido mortos durante a guerra no Irã.
Na quinta-feira (23), o Departamento de Defesa havia reduzido esse número, relatando que 14 soldados americanos haviam sido mortos na guerra.
Três autoridades militares disseram que uma das razões por trás da mudança foi que o governo Donald Trump decidiu remover da lista quatro militares mortos no último fim de semana —três na Jordânia e um no norte do Iraque— porque suas mortes ocorreram após o presidente declarar um cessar-fogo na guerra em abril.
As autoridades descreveram discussões internas sensíveis sob condição de anonimato.
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O secretário de imprensa interino do Pentágono, Joel Valdez, atribuiu a mudança a "interrupções temporárias de dados" no site, que ele sugeriu que seriam rapidamente corrigidas.
Desde que o cessar-fogo entrou em colapso, o Pentágono forneceu poucas informações sobre a estratégia militar dos EUA e tem sido lento em divulgar informações sobre militares feridos. A última grande coletiva de imprensa do Pentágono sobre a guerra foi no início de maio.
O Departamento de Defesa disse que divulgar ataques iranianos a bases onde tropas americanas estão alojadas comprometeria a segurança operacional.
O Pentágono reteve informações sobre três ataques iranianos na semana passada na Jordânia que feriram dezenas de militares americanos e danificaram vários helicópteros, de acordo com várias autoridades americanas, que falaram sob condição de anonimato para discutir questões operacionais.
Após um ataque iraniano na Jordânia na última sexta-feira (17) que matou três soldados, o principal porta-voz do Pentágono, Sean Parnell, reconheceu que o número de baixas militares americanas desde 7 de julho havia subido para quase cem.
Autoridades do Departamento de Defesa dizem que são obrigadas por lei a relatar mortes de tropas, mas não ferimentos. Críticos, incluindo senadores democratas, dizem que o governo Trump é obrigado a informar o público sobre a condução da guerra.
"O governo parece ter muita dificuldade em ser honesto sobre o que está acontecendo —não apenas sobre mortes, mas sobre toda a guerra em geral", disse o tenente-general aposentado Ben Hodges, veterano das guerras no Iraque e no Afeganistão, que comandou as forças americanas na Europa no início do primeiro mandato de Trump.
Hodges disse que minimizar mortes durante a guerra indicava "uma falta de vontade ou incapacidade de aprender de forma firme com os erros".
A questão das mortes de militares é especialmente relevante porque tanto o presidente Trump quanto o secretário de Defesa, Pete Hegseth, fizeram dela uma bandeira política. Ambos afirmaram repetidamente que seus antecessores, o presidente Joe Biden, o secretário de Defesa Lloyd Austin e a então vice-presidente Kamala Harris foram pessoalmente responsáveis pela morte de 13 militares americanos em um atentado suicida em Cabul, em 2021.
"Essas pessoas não deveriam ter morrido", disse Trump ao podcaster Lex Fridman em 2024. "Elas morreram por causa de Biden e por causa de Kamala. Morreram como se eles tivessem puxado o gatilho."