Abertura
Crise leva Cuba a ampliar espaço para empresas privadas
O governo de Cuba anunciou ontem a abertura de setores estratégicos da economia à iniciativa privada, ampliando a participação de empresas em áreas como distribuição de combustíveis, farmácias, energias renováveis, importação de veículos e operações de mineração. A medida ocorre semanas após o Parlamento aprovar um pacote de reformas voltadas à economia de mercado e em meio ao agravamento da crise econômica e das sanções impostas pelos Estados Unidos.
As novas regras reduzem significativamente o número de atividades exclusivas do Estado e ampliam o espaço para empreendedores privados. Também passam a ser permitidos investimentos em instituições de longa permanência para idosos, terminais de passageiros e cargas e instalações portuárias, entre outros setores.
Moradores ouvidos pela AFP avaliaram positivamente a decisão. Eles afirmam que a expansão da iniciativa privada pode amenizar a escassez de medicamentos, alimentos e outros produtos básicos, agravada pela crise econômica.
Apesar da flexibilização, o governo manteve sob controle estatal áreas consideradas estratégicas, como saúde, educação, segurança, defesa e a indústria do tabaco. Serviços médicos continuarão gratuitos, enquanto a educação pública seguirá predominante, embora tenha sido autorizada a atuação privada em creches, cursos de idiomas e aulas particulares.
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As reformas representam uma das maiores mudanças na economia socialista cubana nas últimas décadas. Segundo o governo, mais de 15 mil pequenas e médias empresas privadas já operam na ilha, empregando mais de um terço da população economicamente ativa.
A abertura ocorre em um cenário de forte pressão dos Estados Unidos. Além do embargo econômico em vigor desde 1962, o governo Donald Trump ampliou as sanções contra Cuba, agravando a crise marcada por apagões, escassez de alimentos, combustíveis, água e medicamentos. Em resposta, o presidente Miguel Díaz-Canel acusa Washington de tentar sufocar economicamente o país.