BEM-ESTAR
Tecnologia se torna aliada no cuidado com os idosos
Especialistas falam das vantagens de manter pessoas com mais de 60 anos conectadas
A tecnologia tem transformado a rotina dos idosos e ampliado a autonomia na terceira idade. Cada vez mais conectados ao mundo digital, muitos encontram nos celulares, aplicativos e dispositivos inteligentes ferramentas que facilitam tarefas do dia a dia, fortalecem vínculos afetivos e ainda contribuem para a saúde mental.
Diante de tantos benefícios, a tecnologia também pode promover um envelhecimento ativo e saudável. Nesse processo, é importante manter-se ativo de diferentes maneiras: além dos exercícios físicos, o estímulo cognitivo também é essencial.
A psicóloga Mayana Sérgia explica que as ferramentas digitais contribuem para a neuroplasticidade, ajudando a retardar doenças como demência e o declínio cognitivo. Aplicativos de jogos e exercícios estimulam a atenção, a memória, o raciocínio e a percepção visual — habilidades fundamentais para manter a lucidez.
A depressão e a ansiedade são diagnósticos comuns entre pessoas mais velhas, principalmente porque muitos idosos tendem a se sentir solitários. Nesse contexto, o contato virtual surge como uma alternativa à interação física, que nem sempre é possível. Chamadas de vídeo e troca de mensagens com amigos e familiares podem fortalecer os vínculos afetivos, reduzir o sentimento de solidão e melhorar a qualidade de vida.
A especialista relata que, além das conversas casuais, a tecnologia também pode ser uma aliada em consultas online, cursos, entretenimento e outras atividades que contribuem para reduzir os impactos de doenças mentais em idosos.
Para aqueles que ainda não têm o hábito de usar a internet ou o celular, o conselho da psicóloga é entrar no mundo digital de forma leve e sem medo. “Errar faz parte e nada é definitivo”. Segundo ela, muitos idosos têm receio de quebrar o aparelho ou acreditam que será difícil utilizá-lo. Por isso, é importante que o acompanhamento seja feito de maneira lúdica e respeitando o ritmo de aprendizado de cada pessoa.
A médica geriatra Mayara Honorato destaca que o envelhecimento marcado por doenças é resultado de um processo em que houve falhas na preservação da mobilidade, autonomia e independência.
Diante disso, fortalecer a autonomia dos idosos no dia a dia é fundamental. “Quando a gente consegue preservar a autonomia da pessoa, ela consegue expressar as próprias vontades, tem capacidade decisória e também independência, que é a capacidade de realizar as ações que deseja”, explica.
A geriatra ressalta ainda que os idosos não perdem a capacidade de aprender. Para ela, o estigma relacionado ao etarismo é um dos obstáculos que impedem avanços na inclusão digital. “Se a gente não muda de postura com relação à interação entre os idosos e a tecnologia, deixa de ofertar tecnologia assistiva para essas pessoas e também oportunidades para que continuem independentes em diversos aspectos da vida”, afirma.
As novas tecnologias são ferramentas importantes para que os idosos recuperem a independência e tenham mais autonomia. A especialista destaca a importância de estimular o uso de aparelhos inteligentes capazes de controlar outros dispositivos, já que eles podem facilitar diversas atividades, como acender luzes ou fazer chamadas de emergência. Os smartwatches também ajudam no monitoramento da saúde, acompanhando ritmo cardíaco, detecção de quedas e qualidade do sono.