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ESPAÇO PET

Pets exóticos ganham espaço entre tutores de Alagoas

Geckos, pítons e dragões-barbudos lideram a procura entre tutores iniciantes, refletindo uma mudança no perfil das famílias e na relação com os animais de estimação

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Karlla Lima dá detalhes sobre a procura por pets exóticos
Karlla Lima dá detalhes sobre a procura por pets exóticos | Foto: Divulgação

O interesse por pets exóticos tem crescido em todo o país, impulsionado pelo avanço do mercado pet e pela busca por animais que se adequem a diferentes estilos de vida. Em Alagoas, essa tendência também vem conquistando adeptos. Uma empresa situada no Litoral Norte de Maceió tem se destacado pela oferta de mais de 20 espécies não convencionais, que chamam a atenção pela beleza e excentricidade.

Com a visibilidade cada vez maior nas redes sociais, esses animais têm conquistado um público diversificado, formado por famílias com crianças, jovens solteiros, casais sem filhos e pessoas das mais diversas profissões. Trata-se de um nicho acessível a diferentes perfis de consumidores.

Para Karlla Lima, mestre em comportamento e estrategista de valor, administração, marketing e vendas da Fauna Criadouro, a internet permitiu que as pessoas conhecessem melhor esses animais, entendessem seu comportamento e percebessem que muitas espécies, quando adquiridas legalmente e mantidas com o manejo adequado, podem ser excelentes animais de estimação.

Lagartos estão entre os preferidos por quem busca animais exóticos
Lagartos estão entre os preferidos por quem busca animais exóticos | Foto: Divulgação

“O mercado pet apresenta um crescimento robusto e constante nos últimos anos, e o segmento de exóticos, especialmente o de répteis, se destaca com taxas anuais superiores a dois dígitos. Além das redes sociais, vivemos uma mudança na forma como as famílias se relacionam com os pets. Hoje, muitas pessoas procuram animais que se adaptem à rotina, ao espaço disponível e até a necessidades específicas, como famílias que não podem conviver com pelos ou que preferem animais mais silenciosos e independentes. A verticalização das moradias também tem contribuído nesse sentido”, afirma Karlla.

Ela explica que a disponibilidade de cada animal varia de acordo com a época do ano, pois a reprodução desses pets segue padrões bem definidos. Ainda assim, três espécies têm se destacado e se tornado as queridinhas de quem busca um animal de estimação exótico: o gecko-leopardo, a píton-ball e a pogona, também conhecida como dragão-barbudo.

Dessas, duas - o gecko-leopardo, entre os lagartos, e a píton-ball, entre as serpentes - estão entre as mais indicadas para tutores de primeira viagem, por serem animais tranquilos, exigirem menos adaptações no terrário e interagirem bem com os tutores. “Não é à toa que são os queridinhos”, afirma.

Cobras também integram a lista dos animais procurados
Cobras também integram a lista dos animais procurados | Foto: Divulgação

Karlla destaca ainda que o gecko tem se tornado famoso no TikTok pelo aparente sorriso constante. Já o dragão-barbudo chama a atenção pela interação com os seres humanos. “Acho que, por ainda não serem tão comuns no Brasil, todos despertam muita curiosidade. Além do gecko e do dragão-barbudo, algumas serpentes, especialmente as albinas ou de cores chamativas, também exercem certo fascínio”, pontua.

Ao adquirir um pet exótico, é importante que os tutores estejam atentos aos cuidados exigidos por cada espécie. Entre os animais disponíveis na Fauna Criadouro, o lagarto gigante da Nova Caledônia, o jabuti-de-esporas-africano, a jiboia-esmeralda e as iguanas são os que demandam maior atenção e um dos principais erros cometidos pelos tutores é não se prepararem adequadamente para atender às necessidades do animal nem pesquisarem previamente qual espécie melhor se adapta ao seu estilo de vida.

“Alguns precisam de monitoramento constante de temperatura e umidade; outros, de bastante espaço, banhos de sol diários e alimentação bastante específica. São animais indicados para tutores mais experientes. Diferentemente de cães e gatos, os répteis não controlam a própria temperatura corporal, e isso é crucial para o seu bem-estar. O tutor precisa fornecer as condições adequadas de temperatura e umidade para que o animal viva bem. Além disso, a alimentação também é específica. Não basta oferecer ração. Serpentes, por exemplo, alimentam-se de presas, e é necessário contar com um bom fornecedor antes mesmo de adquirir o animal, além de não ter aversão a oferecer esse tipo de alimento. O mesmo vale para os lagartos insetívoros. Apesar de existirem rações e insetos desidratados no mercado, eles ainda não substituem o alimento vivo”, explica.

Criadouro situado em Maceió comercializa mais de 20 espécies de pets não convencionais
Criadouro situado em Maceió comercializa mais de 20 espécies de pets não convencionais | Foto: Divulgação

Para evitar escolhas inadequadas e garantir o bem-estar dos animais, o criadouro oferece venda consultiva, por meio da qual os clientes podem esclarecer dúvidas sobre a espécie escolhida e receber orientações sobre fornecedores confiáveis para preparar o terrário antes da chegada do pet.

“Também utilizamos as redes sociais para educar nosso público. Elas são nossa vitrine, por isso grande parte dos conteúdos é voltada ao ensino do manejo correto e à importância da posse responsável. O cliente recebe um manual de cuidados com informações detalhadas sobre o manejo e, após a compra, conta com um pós-venda estruturado. Estamos sempre à disposição para auxiliar na adaptação do bichinho ao novo lar. Alguns clientes acabam se tornando amigos e nos enviam fotos e notícias dos pets em aniversários e datas especiais. Para nós, é sempre emocionante ver nossos filhotes crescidos e saudáveis em suas novas famílias”, diz Karlla.

Quanto custa?

O preço de um pet exótico varia conforme a espécie. Na Fauna Criadouro, os valores vão de R$ 1.499 a R$ 20 mil. A manutenção mensal de um réptil, no entanto, costuma ser menor do que a de um cachorro, por exemplo.

Para quem deseja se tornar tutor de um pet exótico, Karlla destaca que o primeiro passo é estudar e pesquisar as espécies disponíveis, compreendendo qual delas melhor se adapta à rotina e às expectativas de cada pessoa.

“Uma vez escolhida a espécie, é fundamental procurar um criadouro legalizado, para ter a certeza de que o animal é bem cuidado e possui toda a documentação exigida pelos órgãos ambientais. Por fim, é preciso ter consciência de que um pet é uma vida que estará ao seu lado por muitos anos; em alguns casos, como o dos jabutis, poderá permanecer na família por gerações. Por isso, exige respeito, amor e dedicação”, conclui.

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