SAÚDE
Corpo de verão começa no inverno: os riscos das dietas de última hora
Profissionais citam que resultados saudáveis dependem de planejamento e estratégias individualizadas
Durante muito tempo, a médica Roberta Albuquerque, de 28 anos, tentou encontrar sozinha um caminho para conquistar um corpo com o qual se sentisse melhor. Como muitas pessoas, ela iniciou diferentes dietas, buscou alternativas para emagrecer, mas acabava enfrentando a mesma dificuldade: manter os resultados a longo prazo.
“Sempre quis ter um corpo mais harmônico, mas nunca havia conseguido emagrecer sozinha. Tentei várias dietas, mas nunca conseguia mantê-las por muito tempo. Até que busquei uma profissional que me entendesse e me ajudasse a alcançar meu objetivo, e foi a melhor decisão que tomei”, diz.
Com a chegada dos meses mais quentes, histórias como a de Roberta se tornam ainda mais comuns. O desejo de se sentir melhor no verão faz com que muitas pessoas iniciem dietas restritivas, busquem soluções imediatas e recorram a métodos que prometem resultados em pouco tempo. Mas, segundo especialistas, o caminho para uma transformação saudável começa muito antes: ainda no inverno.
De acordo com a nutricionista Júlia Fernandes, é comum que muitas pessoas esperem a proximidade do verão para iniciar mudanças na alimentação e na rotina. O problema é que a pressa pode levar a escolhas pouco sustentáveis e difíceis de manter.
“Quando a pessoa tenta recuperar em poucas semanas algo que poderia ter sido construído ao longo de meses, acaba buscando alternativas extremas. Muitas vezes são estratégias que até podem trazer uma mudança inicial, mas que não conseguem ser mantidas a longo prazo”, explica.
Para a cardiologista e nutróloga Patrícia Albuquerque, um dos principais desafios é mudar a forma como muitas pessoas enxergam o processo de emagrecimento. Segundo ela, é comum que pacientes cheguem ao consultório acreditando que emagrecer significa apenas reduzir o número na balança, recorrendo a dietas restritivas ou até ao uso de medicamentos sem acompanhamento adequado.
“Essa busca pelo emagrecimento rápido muitas vezes causa desequilíbrios orgânicos graves. O uso de diuréticos, por exemplo, só elimina líquidos. Além disso, cortar carboidratos de forma radical pode levar à falta de energia e a episódios de compulsão alimentar”, alerta.
As especialistas reforçam que não existe uma fórmula única quando o assunto é saúde e composição corporal. Cada organismo responde de uma maneira e fatores como histórico de saúde, metabolismo, rotina, exames, qualidade do sono, nível de atividade física e objetivos precisam ser considerados antes da definição de uma estratégia. Por isso, a união entre nutrição e nutrologia pode contribuir para uma avaliação mais completa.