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COLUNA ILCA MARIA ESTEVÃO

Novo top: sutiã celebra a liberdade feminina

De símbolo de opressão a instrumento de liberdade, peça ganha as passarelas de Prada, Margiela e Fendi

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| Foto: Divulgação

Por décadas, o sutiã ocupou um lugar controverso no guarda-roupa feminino. Se, nos anos 1960 e 1970, a peça foi associada aos protestos feministas e à ideia de libertação do corpo, hoje ela ganha um significado diferente: deixou de ser apenas uma roupa íntima e passou a funcionar como uma peça autônoma. Nas passarelas internacionais, o movimento aparece de forma cada vez mais evidente. Vem comigo!

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| Foto: Divulgação

Protestos feministas

A relação entre o sutiã e o feminismo é antiga, embora parte dessa história tenha sido simplificada ao longo do tempo. A imagem de mulheres queimando sutiãs ficou associada aos movimentos feministas dos anos 1960 e 1970, mas o episódio que consolidou esse imaginário, durante um protesto contra o concurso Miss America, em 1968, nos Estados Unidos, não envolveu uma queima efetiva da peça.

Durante o protesto do Women’s Liberation Movement contra os padrões de beleza impostos pelo concurso, cerca de 400 ativistas jogaram sutiãs, cintas, saltos altos e maquiagens em uma “Lixeira da Liberdade” como ato simbólico de libertação.

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| Foto: Divulgação

Nenhum fogo foi aceso, pois a polícia local proibiu qualquer incêndio em espaço público. No entanto, a imprensa da época comparou o descarte desses objetos à queima de cartões de alistamento militar da Guerra do Vietnã, criando uma manchete sensacionalista que imortalizou a queima de sutiãs como slogan feminista.

Sutiãs nas passarelas

Se, historicamente, a libertação feminina foi associada à ideia de abandonar o sutiã, a moda contemporânea apresenta outra possibilidade: usar a peça porque se quer usá-la e também decidir quando ela deixa de ser íntima para se tornar parte do outfit.

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| Foto: Divulgação

Na Semana de Moda de Milão, grifes como Prada, Fendi e Maison Margiela levaram a lingerie para o centro das produções. O movimento acompanha uma transformação mais ampla na moda, que tem deixado de lado as necessidades visuais excessivamente polidas para valorizar assimetrias, sobreposições e construções ‘imperfeitas’.

Na coleção de primavera/verão 2027 da Prada, a ideia aparece de maneira literal. Um dos visuais traz um sutiã preto de renda usado sozinho, combinado a uma saia vermelha de cintura baixa. A escolha conversa com uma das características mais marcantes da coleção: a valorização de uma aparência menos controlada.

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| Foto: Divulgação

A Fendi também levou a peça para fora do território tradicional da roupa íntima. Em um dos looks, um sutiã verde-claro aparece diretamente sobre a pele e é combinado a um blazer preto de mangas amplas e uma peça de cetim na mesma tonalidade.

Na Maison Margiela, a proposta ganha outro significado. Um sutiã vermelho de renda aparece à mostra sob uma peça azul-marinho usada de maneira desconstruída, com a parte superior aberta. O resultado aproxima a lingerie de uma das linguagens mais reconhecíveis da maison: a desconstrução.

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