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SAÚDE

Menopausa precoce: os sinais de alerta e os impactos na saúde

Ginecologista destaca a importância do diagnóstico precoce e do acompanhamento individualizado

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Imagem ilustrativa da imagem Menopausa precoce: os sinais de alerta e os impactos na saúde
| Foto: Divulgação

A menopausa precoce é uma condição que merece atenção, principalmente por seus impactos na saúde hormonal, óssea, cardiovascular e reprodutiva da mulher. Embora a menopausa aconteça, em média, por volta dos 50 anos, quando ocorre antes dos 45 anos é considerada precoce. Já a insuficiência ovariana prematura (IOP) é caracterizada pelo comprometimento da função dos ovários antes dos 40 anos, que ainda podem apresentar atividade intermitente.

Segundo a ginecologista e especialista em fertilidade, Amanda Vigó, compreender as diferenças entre essas condições e reconhecer os possíveis sinais de alerta é fundamental para que as mulheres tenham acesso a diagnóstico, tratamento e orientação reprodutiva adequados.

A menopausa natural costuma ocorrer entre os 45 e 55 anos e é confirmada após 12 meses consecutivos sem menstruação, desde que não existam outras causas para a interrupção do ciclo. Antes disso, a mulher pode passar pela perimenopausa, fase de transição marcada por oscilações hormonais e irregularidades menstruais.

Na menopausa precoce, porém, a redução da função ovariana acontece antes do esperado e pode trazer consequências que vão além das alterações menstruais. Por isso, a condição exige avaliação médica e acompanhamento individualizado.

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| Foto: Divulgação

A especialista destaca que entre as possíveis causas estão alterações genéticas, doenças autoimunes, quimioterapia, radioterapia e cirurgias ovarianas. “Entretanto, muitas mulheres não apresentam qualquer antecedente ginecológico ou fator de risco conhecido. Por isso, é importante conversar sobre reserva ovariana e planejamento reprodutivo mesmo em mulheres jovens, saudáveis e com ciclos menstruais regulares”, afirma.

O histórico familiar é outro fator importante. “Mulheres com histórico familiar de menopausa precoce, especialmente em mães ou irmãs, apresentam maior risco. Esse histórico deve ser valorizado, pois pode justificar investigação e aconselhamento reprodutivo mais precoces. Entretanto, a ausência de antecedentes familiares não exclui a possibilidade de comprometimento ovariano”, completa a especialista.

De acordo com Amanda Vigó, muitas mulheres recebem o diagnóstico mesmo sem histórico de problemas ginecológicos ou fatores de risco conhecidos. Em diversos casos, inclusive, não é possível identificar uma causa específica, mesmo após investigação adequada.

A médica ressalta ainda que o envelhecimento reprodutivo ocorre naturalmente, com a redução progressiva da quantidade e da qualidade dos óvulos. Esse processo pode acontecer mesmo em mulheres que não apresentam menopausa precoce.

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| Foto: Divulgação

Os primeiros indícios de comprometimento da função ovariana podem incluir ciclos menstruais irregulares, intervalos maiores entre as menstruações ou ausência de menstruação. Também podem surgir ondas de calor, suor noturno, alterações do sono, ressecamento vaginal e mudanças de humor.

Entretanto, a ausência de sintomas não significa necessariamente que a reserva ovariana esteja preservada. Uma mulher pode apresentar redução da quantidade de óvulos disponíveis e continuar menstruando regularmente.

Por isso, a especialista destaca a importância de não esperar o aparecimento de sintomas ou dificuldades para engravidar para discutir a saúde reprodutiva. A avaliação da reserva ovariana pode contribuir para o planejamento familiar e para a identificação de mulheres que eventualmente se beneficiem de estratégias de preservação da fertilidade.

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| Foto: Divulgação

Como é feito o diagnóstico?

A investigação da menopausa precoce envolve avaliação clínica, análise do histórico menstrual e exames hormonais, principalmente a dosagem do hormônio folículo-estimulante (FSH). Quando há suspeita de insuficiência ovariana prematura, também podem ser indicados exames genéticos e investigação de doenças autoimunes.

Já a avaliação da reserva ovariana pode incluir a dosagem do hormônio antimülleriano (AMH) e a contagem de folículos antrais por ultrassonografia.

Segundo Amanda Vigó, esses exames fornecem informações importantes para o aconselhamento reprodutivo, mas precisam ser interpretados em conjunto com a avaliação médica. Isoladamente, não diagnosticam a menopausa nem permitem prever com exatidão quando ela acontecerá.

“Eu defendo que, por volta dos 30 anos, mesmo sem sintomas ou histórico familiar, toda mulher tenha acesso a uma avaliação individualizada do seu planejamento reprodutivo, com investigação da reserva ovariana quando indicada. O objetivo não é recomendar congelamento de óvulos para todas, mas identificar quem pode se beneficiar dessa estratégia e evitar que a decisão seja tomada quando as possibilidades já estão reduzidas”, afirma.

O comprometimento da função ovariana pode reduzir as chances de gravidez, mas não significa necessariamente infertilidade definitiva. Na insuficiência ovariana prematura, ainda podem ocorrer ovulações ocasionais, o que mantém uma possibilidade, embora baixa, de gravidez espontânea.

Quando há desejo de engravidar, as alternativas dependem das condições clínicas e reprodutivas de cada mulher. Entre as possibilidades estão o uso de óvulos previamente congelados e a fertilização in vitro com óvulos doados.

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| Foto: Divulgação

A preservação da fertilidade, quando indicada, pode ampliar as possibilidades reprodutivas futuras. No entanto, o momento de considerar essa estratégia é importante, já que a redução da função ovariana pode ocorrer antes de alterações menstruais perceptíveis.

Para a especialista, a avaliação precoce permite discutir essas opções antes que a perda da função ovariana comprometa ainda mais as possibilidades de reprodução.

Impactos vão além da fertilidade

A deficiência de estrogênio em idade mais jovem pode aumentar o risco de perda de massa óssea, doenças cardiovasculares e alterações urogenitais, além de contribuir para distúrbios do sono e outros sintomas que afetam a qualidade de vida.

As repercussões também podem ser emocionais, especialmente quando o diagnóstico interfere nos planos de maternidade ou provoca insegurança em relação ao futuro. Por isso, o tratamento deve considerar não apenas os aspectos hormonais, mas também a saúde física, emocional e reprodutiva.

A terapia hormonal costuma ser recomendada para mulheres com insuficiência ovariana prematura, desde que não existam contraindicações, geralmente até a idade habitual da menopausa natural. Além de aliviar sintomas, o tratamento ajuda a proteger a saúde óssea e a reduzir consequências associadas à deficiência estrogênica.

Antes de iniciar a terapia, é necessário avaliar o histórico clínico, os riscos de trombose, os antecedentes oncológicos e outras condições individuais. A decisão deve ser tomada com orientação médica.

O acompanhamento também pode incluir cuidados específicos com a saúde óssea e cardiovascular, além de atenção ao bem-estar emocional. Alimentação equilibrada, atividade física, com foco especial nos exercícios de força, ingestão adequada de cálcio e vitamina D, sono de qualidade e abandono do tabagismo são medidas importantes para a proteção da saúde. Esses hábitos, entretanto, não recuperam a reserva ovariana nem substituem a terapia hormonal quando ela é indicada.

Acompanhamento deve ser contínuo

Após o diagnóstico, o acompanhamento médico precisa ser mantido de forma contínua, com atenção à saúde hormonal, óssea, cardiovascular e emocional. Nas mulheres que utilizam terapia hormonal para insuficiência ovariana prematura, a necessidade do tratamento deve ser reavaliada por volta da idade habitual da menopausa, considerando os benefícios e riscos individuais.

Mesmo depois desse período, o acompanhamento ginecológico continua sendo importante.

Nem sempre é possível prevenir a menopausa precoce, especialmente quando há predisposição genética ou quando a causa é desconhecida, mas a informação e a avaliação individualizada podem ajudar a antecipar decisões sobre o futuro reprodutivo.

A principal orientação é que a saúde ovariana faça parte das conversas de rotina com o ginecologista. A proposta é identificar precocemente possíveis alterações, esclarecer as opções disponíveis e permitir que cada mulher tome decisões informadas sobre fertilidade e saúde, sem esperar que os primeiros sintomas apareçam ou que surjam dificuldades para engravidar.

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