REUNIÃO
Comércio e segurança são tema de reunião entre Lula e Trump
Brasileiro deve abordar contraproposta para ações contra lavagem de dinheiro
O
presidente Lula vai discutir, em seu encontro com o americano Donald Trump nesta quinta-feira (7), a proposta brasileira para cooperação em segurança pública, que inclui colaboração no combate ao tráfico de armas e lavagem de dinheiro.
Também pode estar em discussão a cooperação com países terceiros da região. A proposta foi apresentada por integrantes do governo brasileiro a suas contrapartes americanas em abril.
Além disso, na pauta do encontro estarão as investigações da seção 301 que o governo Trump abriu contra o Brasil e podem resultar em sanções e tarifas contra o país. Do lado americano, os temas prioritários devem ser a exploração de minerais críticos no Brasil e a atuação das big tech americanas no país.
O encontro começou a ser discutido no final do ano passado e estava programado para março. Na semana passada, após comunicação da Casa Branca com o governo brasileiro, a visita foi finalmente agendada para esta semana.
Como a Folha revelou, o governo Trump havia proposto que o Brasil recebesse em prisões brasileiras os estrangeiros capturados nos EUA, tal como faz El Salvador em sua penitenciária. Os EUA também queriam que o Brasil apresentasse um plano para acabar com o PCC, com o Comando Vermelho, com o Hezbollah e com organizações criminosas chinesas em solo brasileiro.
O governo Trump pedia ainda que o Brasil compartilhasse com autoridades americanas informações, incluindo dados biométricos, de estrangeiros buscando refúgio e de refugiados no país. Isso seria parte de medidas para combater a criminalidade transnacional e bloquear a imigração em massa passando por portos e fronteiras brasileiros.
As demandas americanas eram uma contraproposta ao plano de cooperação apresentado pelo presidente Lula em telefonema a Trump no ano passado —que também selou a trégua das tensões entre os dois países em decorrência do tarifaço.
O Brasil havia proposto um plano de combate ao crime transnacional com quatro pontos principais. Um deles era cooperação para combater a lavagem de dinheiro, mirando criminosos brasileiros que transferem recursos para empresas de fachada no estado de Delaware, espécie de paraíso fiscal nos EUA.
A proposta também incluía o bloqueio de ativos nos EUA provenientes de recursos ilícitos de brasileiros que cometeram crimes no Brasil, com aumento de cooperação entre a Receita Federal e o IRS, o equivalente americano; a colaboração entre autoridades alfandegárias, com aperto da fiscalização no tráfico de armas que abastecem facções; e intensificar o intercâmbio de informações sobre transações em criptoativos.
As demandas americanas não foram aceitas pela gestão Lula, que apresentou uma nova proposta em abril. O governo brasileiro tenta evitar que os EUA anunciem a designação do CV e do PCC como organizações terroristas. Na visão do governo Lula, o rótulo abriria brecha legal para intervenções dos EUA em território brasileiro.
Em relação a minerais críticos, o Brasil já afirmou a autoridades americanas que não aceita nenhum acordo que preveja exclusividade de fornecimento e que não inclua processamento das commodities em solo brasileiro. Lula deve ressaltar a Trump que o Brasil se reserva o direito de regulamentar o setor de minerais críticos, com possíveis cláusulas de restrição a exportação de determinados minerais.