FARRA DO INSS
PF: advogado paga mansão de R$ 6 milhões para senador
Investigação aponta que Willer teria atuado na lavagem de dinheiro para Weverton
O advogado Willer Tomaz e parentes do senador Weverton Rocha (PDT-MA), vice-líder do governo Lula no Senado, foram alvos de mandados de busca pela Polícia Federal nessa terça-feira (4), em nova fase da operação Sem Desconto, que apura os descontos indevidos de aposentados e pensionistas do INSS.
A investigação da aponta que a residência utilizada pelo parlamentar foi adquirida pelo advogado Willer Tomaz. A casa, avaliada em R$ 6 milhões, fica no Lago Sul, região nobre de Brasília (DF).
Uma das suspeitas investigadas pela PF é que o advogado tenha atuado na lavagem de dinheiro para Weverton. Em nota, Willer Tomaz afirma que não é investigado.
O senador do PDT não sofreu mandados de busca, mas teve bens bloqueados pelo STF. A esposa, Samya Lorene, e duas irmãs do político forma alvos da PF na operação de ontem.
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Weverton foi alvo de fases anteriores da Sem Desconto. Quando pediu buscas contra ele, em dezembro, a PF apontou o senador como sustentáculo político do esquema de desvios no INSS.
O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) André Mendonça autorizou 18 mandados de busca e apreensão realizados nessa terça-feira, em Brasília e no Maranhão.
Willer é conhecido por sua relação com políticos. Além da relação com Weverton, é próximo do senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
O advogado já foi preso pela PF em 2017, à época das investigações sobre os irmãos Batista e a JBS.
OUTRO LADO
Em nota, Willer Tomaz disse que a "diligência de busca e apreensão a que foi submetido nesta manhã decorre exclusivamente do fato de ser proprietário da aeronave utilizada, em caráter estritamente particular, pelo senador Weverton Rocha em viagem já de conhecimento público".
O advogado afirmou ainda que "não é investigado no âmbito da Operação Sem Desconto e não possui qualquer vínculo com o esquema de fraudes em descontos previdenciários apurado pela Polícia Federal".
Em nota, o senador Weverton Rocha (PDT-MA) afirmou que não tem nada a esconder e criticou a operação da PF. "Apesar de não ter sido diretamente o alvo da operação de hoje, eu sabia que, com a minha candidatura ao Senado e as minhas posições políticas, sofreria ataques", disse.
Em texto e em um vídeo, ele também afirma que "todas as movimentações mencionadas são fruto de atividades profissionais e empresariais e que foram devidamente declaradas à Receita Federal".
Willer Tomaz é apontado como um "hub financeiro" utilizado pelo senador Weverton Rocha (PDT-MA) para lavar dinheiro desviado de aposentados e pensionistas do INSS e também oriundo de outros supostos crimes.
A afirmação consta na decisão do ministro Mendonça.
Enquanto Weverton é colocado como responsável por "formular demandas, indicar beneficiários e cobrar pagamentos", a PF aponta Willer Tomaz como "personagem de sustentação, associado a empresas, imóveis, aeronaves, pilotos, funcionários, operadores financeiros e interlocutores políticos".
Para os investigadores, as empresas e os escritórios ligados a Willer Tomaz funcionariam "como verdadeiro hub financeiro, patrimonial e logístico" posto à disposição dos beneficiários, dentre os quais Weverton Rocha.
A nova fase da Sem Desconto investiga lavagem de dinheiro desviado dos aposentados.
"As investigações tiveram início após a identificação de indícios de movimentações financeiras e patrimoniais que, em tese, teriam sido realizadas por meio da utilização de pessoas físicas e jurídicas, contas bancárias de terceiros, estruturas empresariais e operações com valores em espécie, com o objetivo de ocultar a origem e a destinação dos recursos", diz a PF.
De acordo com a PF, as apurações continuarão para descobrir a origem e destinação desses recursos e, também, o objetivo dos repasses mapeados.
As investigações tiveram início após a identificação de indícios de movimentações financeiras e patrimoniais que, em tese, teriam sido realizadas mediante utilização de pessoas físicas e jurídicas, de contas bancárias de terceiros, de estruturas empresariais e de operações com valores em espécie, com o objetivo de ocultar a origem e a destinação dos recursos.