Editorial
Pé no freio

Pé no freio
A economia brasileira encerrou 2025 com expansão de 2,5%, segundo o Índice de Atividade Econômica (IBC-Br) do Banco Central, divulgado ontem. O resultado confirma a desaceleração em relação aos 3,7% registrados em 2024, movimento já esperado diante da política monetária contracionista adotada para conter a inflação.
Considerado uma prévia do PIB oficial, o indicador mostra uma economia que continua a crescer, porém sob condições mais restritivas. A taxa Selic em 15% ao ano cumpriu o papel de arrefecer o ritmo da atividade, sobretudo no segundo semestre.
O desempenho setorial ajuda a explicar essa dinâmica. A agropecuária foi o principal vetor de expansão, com alta de 13,1%, impulsionada por uma safra robusta e pelo avanço das exportações. O setor de serviços cresceu 2,1%, sustentado pelo mercado de trabalho aquecido e pela expansão de segmentos como transportes e serviços empresariais. Já a indústria, com avanço mais modesto, de 1,5%, ainda reflete os efeitos do crédito caro e do ambiente financeiro restritivo.
A desaceleração, longe de indicar fragilidade estrutural, faz parte da estratégia de convergência da inflação à meta de 3%. O desafio, agora, será calibrar o início do ciclo de cortes de juros sem comprometer a credibilidade do regime de metas.
