Editorial
Construtores de AL – CXXVII

O Doutor Wilton Moreira da Silva, conheci no Fórum de Maceió. Foi juiz de Direito ético, homem educado e, sobretudo, amável com quem necessitava de seus valiosos préstimos. Ingressou na magistratura em 1966, exercendo suas atividades judicantes nas comarcas de São Brás, Traipu, Olho d’Água das Flores, Santana do Ipanema, Pão de Açúcar, São José da Laje, Colônia Leopoldina, Penedo, Piaçabuçu, Murici, União dos Palmares e Arapiraca, encerrando sua carreira como juiz auditor, na bela Maceió.
Foi presidente do Tribunal do Júri, realizando mensalmente as sessões. Amigo do saudoso jurista Antônio Aleixo Paz de Albuquerque, ex-secretário de Segurança do Estado de Alagoas. Convivi com ambos, desfrutando dessas amizades por décadas.
Foi membro da União Brasileira dos Escritores, em São Paulo, da Associação dos Magistrados e da Associação Alagoana de Imprensa (AAI). Tinha redação de escol e profundo conhecimento jurídico, expresso nos artigos publicados nos extintos Jornal de Hoje, Jornal de Alagoas e na histórica Gazeta de Alagoas (92 anos).
Publicou dezenas de artigos em revistas de Direito, bem como escreveu: Imburama (1976); Eu, Relator – Votos proferidos no Tribunal de Justiça do Estado de Alagoas (1995); Direito Ambiental – coletânea de artigos (1995); A obrigatoriedade jurídica em torno do Estabelecimento Prisional Santa Fé; Instantes Poemas (1995); Retrospectos Jurídicos (2000).
Foi laureado pela Academia Alagoana de Letras e pelo Jornal de Alagoas (70 anos), além de receber Menção Honrosa da Associação dos Poetas de Alagoas, com os poemas A Cigarra e Maceió.
“Não se busque somente nas raízes a verdade, porém colha-se nas sementes de onde brotará a verdadeira seiva que conduzirá à afloração dos frutos do Direito.”
Pensamento filosófico, capaz de transportar sua lucidez às novas e futuras gerações. Dir-se-ia que o Dr. Wilton Moreira da Silva transpôs os anais de sua história, quer como magistrado, quer como jornalista-escritor. Ficou na história como homem público capaz de deixar exemplos.
Dissera Rui Barbosa: “Uns plantam a semente da couve para o prato de amanhã. Outros, a semente do carvalho para o abrigo futuro.”
Dele guardo suas lições de vida. Descanse em paz sua bondosa alma.
