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Observação

Cristãos e judeus

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Hoje, no Brasil, observa-se certa aproximação e até veneração ao judaísmo por parte de alguns grupos políticos e segmentos evangélicos. Nem sempre foi assim: os judeus foram, ao longo da história, um dos grupos religiosos mais perseguidos, especialmente durante o nazismo, mas também em períodos anteriores.

No início da Idade Média, prevalecia o ideal de homogeneidade religiosa e cultural. Em 1478, os monarcas espanhóis Fernando II de Aragão e Isabel I de Castela instituíram o Tribunal do Santo Ofício da Inquisição. Casados desde 1469, unificaram seus domínios e fortaleceram o poder político. Com autorização do papa Sisto IV, iniciaram uma inquisição voltada à erradicação de heresias — entre elas, a prática do judaísmo.

Embora a Inquisição já existisse desde 1184 sob autoridade papal, nunca havia atingido a dimensão que assumiria na Espanha.

Em 1391, o antissemitismo atingiu um ponto crítico, com uma série de pogroms violentos em regiões como Aragão, Sevilha e Valência, resultando em assassinatos em massa de judeus. Diante da perseguição, muitos converteram-se publicamente ao catolicismo. Surgiu, então, a desconfiança: esses convertidos — os chamados “conversos” — adotaram a nova fé por convicção ou por medo?

Quanto às punições, ao contrário do imaginário popular, as execuções não eram a prática mais frequente. O método predominante era o confisco de bens e propriedades. Embora menos brutal que a fogueira, esse sistema gerava consequências severas: deixava o indivíduo desamparado e abria espaço para abusos e corrupção.

As denúncias de excessos foram tantas que o próprio papa Sisto IV interveio, solicitando maior rigor e cautela nos processos. Ainda assim, sob a liderança de Tomás de Torquemada, intensificaram-se os interrogatórios sob tortura, e a corrupção persistiu.

A perseguição levou muitos judeus a deixarem a Espanha. Estima-se que cerca de 1.500 pessoas tenham sido executadas na fogueira, enquanto um número muito maior foi vítima de expropriações e injustiças.

Hoje, o cenário é outro. A Igreja Católica passou por profundas transformações ao longo do tempo. A religião continua sendo elemento importante na vida de grande parte da população brasileira, mas a história demonstra que sua instrumentalização política pode gerar consequências graves.

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