Editorial
Patrimônio pressionado
A Caatinga, único bioma exclusivamente nacional, tornou-se peça-chave da transição energética ao concentrar a maior parte das usinas solares do País. Ao mesmo tempo, perde rapidamente sua cobertura nativa: desde 1985, mais de 9 milhões de hectares foram degradados, segundo o MapBiomas.
Em Alagoas, a redução da cobertura vegetal ocorre de forma persistente e associada a diferentes frentes de uso do solo. A abertura de áreas para pastagem, a agricultura irrigada, a instalação de projetos de energia e a supressão irregular de vegetação compõem o quadro atual de pressão sobre o bioma, que ocupa 43% do território estadual.
O modelo atual revela um desequilíbrio: promove energia limpa, mas à custa da base ecológica que sustenta o próprio bioma. O contraste é ainda mais crítico diante do potencial ambiental da Caatinga. Estudos do Instituto Nacional do Semiárido mostram que ela é altamente eficiente no sequestro de carbono, podendo retirar grandes volumes de CO₂ da atmosfera quando preservada.
O destaque recente na COP30 indica que o bioma começa a ganhar espaço na agenda climática global. Resta transformar visibilidade em políticas efetivas. É urgente rever o modelo de uso da terra e apostar em conservação e desenvolvimento sustentável.