loading-icon
MIX 98.3
NO AR | MACEIÓ

Mix FM

98.3
sábado, 25/07/2026 | Ano | Nº 6275
Maceió, AL
24° Tempo
Logo Gazeta de Alagoas Logo Gazeta de Alagoas
Home > Opinião

DEMOCRACIA

Trump, Flávio e as eleições

Ouvir
Compartilhar

Trump reage pessimamente às adversidades. Certamente vai aprontar alguma nas eleições de meio de mandato, em novembro. O que ele fará ninguém sabe, mas os sinais estão aí. A aprovação do presidente nunca esteve tão baixa. A chance de perder a maioria em, pelo menos, uma das Casas do Congresso é real, o que deixaria seu governo enfraquecido. Ele lida mal com derrotas. Com esta não deve ser diferente.

Na quinta-feira passada, ele fez um discurso em rede nacional no qual afirmou que as eleições americanas são inseguras e passíveis de fraude, inclusive por inimigos externos, como a China. Tudo, é claro, em conluio com o chamado “Estado profundo” (deep state), formado, segundo essa narrativa, por servidores públicos que conspiram contra seu governo.

Quando olhamos para os atos de seu mandato, contudo, a segurança das eleições não figura como prioridade. Muito pelo contrário: ele já cortou cerca de um terço dos funcionários da Agência de Cibersegurança e Segurança da Infraestrutura, que, entre outras atribuições, ajuda os estados a garantir a segurança das eleições. Além disso, desmantelou o painel bipartidário da Comissão de Assistência às Eleições, que também presta apoio logístico e de segurança ao processo eleitoral. Tudo indica que teremos eleições mais inseguras e, portanto, mais passíveis de críticas e contestação judicial, exatamente o que favorece Trump em caso de derrota.

A acusação feita por Trump de que a China interferiu no resultado das eleições americanas é completamente infundada, inclusive à luz dos documentos de inteligência citados por ele. Ainda assim, se houvesse interesse real em prevenir uma interferência externa, ele teria fortalecido a Força-Tarefa de Influência Estrangeira, que investigava justamente esse tipo de atuação. Ela foi dissolvida no início do mandato.

Shorts Youtube
Play
Joalheiria é alvo de assalto em plena luz do dia em Teotônio Vilela

Joalheiria é alvo de assalto em plena luz do dia em Teotônio Vilela

Play
Prefeitura remove embarcações e objetos abandonados na orla da Pajuçara

Prefeitura remove embarcações e objetos abandonados na orla da Pajuçara

Play
Operação prende suspeito de tráfico de drogas em Arapiraca

Operação prende suspeito de tráfico de drogas em Arapiraca

Play
Polícia inicia 6ª fase da Operação Cerco Fechado

Polícia inicia 6ª fase da Operação Cerco Fechado

Play
Ação da Semsc remove embarcações e objetos abandonados na orla da Pajuçara

Ação da Semsc remove embarcações e objetos abandonados na orla da Pajuçara

Outro momento marcante da semana passada foi o discurso de Marco Rubio sobre o “terrorismo de extrema esquerda” e a necessidade de mobilização internacional contra ele. Poucos países devem levar a sério a narrativa que enxerga organizações internacionais por trás de cada indivíduo desequilibrado que comete atos de violência. Mas a fala serve, mais uma vez, como discurso interno que legitima a perseguição de opositores e, em casos extremos, pode levar a algum tipo de conflagração às vésperas da eleição.

Nesse contexto, a pior coisa que qualquer americano opositor de Trump poderia fazer seria cometer atos de violência ou terrorismo. Mas foi exatamente isso que um cidadão fez no domingo, ao levar armas e provocar um incêndio ao lado de um prédio que abriga escritórios de autoridades de imigração. Tudo indica tratar-se de um indivíduo desequilibrado, mas o episódio servirá como uma luva ao discurso de que o governo dos Estados Unidos vive sob um ataque orquestrado da “esquerda”.

A tão ameaçada democracia deu sinais de força em abril, quando Viktor Orbán perdeu as eleições na Hungria. Mesmo com amplo aparelhamento do Judiciário e controle da mídia, os cidadãos ainda podem retirar um líder impopular do poder, desde que tenham acesso às urnas. Quem organiza as eleições americanas são os estados. Os Estados Unidos não deixarão de ser uma democracia com facilidade. Mas a deterioração de seu principal mecanismo institucional é um exemplo preocupante, que acaba influenciando outras democracias.

No Brasil, o pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro atacou as urnas eletrônicas, seguindo o modelo adotado pelo pai, Jair Bolsonaro, e demonstrando alinhamento com a estratégia de contestar o resultado das eleições em caso de derrota. O extremismo continua vivo.

Relacionadas