Jornada
Acari: onde a gratidão encontra a fé
Há momentos em que a vida suspende o fluxo tranquilo dos dias e nos conduz, quase em silêncio, por veredas que jamais ousamos imaginar. São jornadas íntimas, nas quais a dor e a esperança caminham lado a lado e em que se revela, com intensidade quase palpável, que a fé possui uma força que ultrapassa os limites do visível e toca o invisível com delicadeza e poder.
Foi assim quando Arthur, meu neto, enfrentou um severo problema de saúde. Hoje, plenamente restabelecido, sua cura permanece, para nossa família, como uma das mais belas manifestações da misericórdia divina.
Naqueles dias de incerteza, descobrimos a força da oração. Amigos, familiares e até desconhecidos formaram uma silenciosa corrente de fé, sustentando-nos a cada instante. Entre tantas mãos estendidas, surgiu a indicação de confiar Arthur à proteção de Nossa Senhora da Guia, padroeira de Acari, no interior do Rio Grande do Norte. Desde então, seu nome passou a iluminar nossas preces.
Com a graça alcançada, Ana, minha companheira de vida, e eu sentimos que agradecer era mais do que um dever: era um chamado da alma. Após quase nove horas de viagem, chegamos à Basílica Menor de Nossa Senhora da Guia.
Suspeito de matar ex-companheira em cavalgada em Igreja Nova é preso
Ex-companheiro é condenado por matar professora em Viçosa
Caso Nayane Gaspar: IML conclui exame e aponta causa da morte
Estudante de 13 anos morre após passar mal em escola de Maceió
Ladeira da Moenda é liberada após retirada de poste
Entramos como simples peregrinos e fomos acolhidos com a naturalidade reservada aos filhos de Deus. Mais do que a beleza da igreja, impressionaram-nos a paz que habita aquele lugar e a hospitalidade de quem nos aguardava, cuja fé se revela na simplicidade dos gestos.
Enquanto rezava, compreendi que Deus costuma falar no silêncio: na serenidade de um templo, na mão estendida de um desconhecido e na paz que invade o coração quando as palavras já não são necessárias.
Deixei Acari levando mais do que a lembrança de uma cidade encantadora. Trouxe a certeza de que o Seridó do Rio Grande do Norte abriga uma espiritualidade rara, alimentada pela fé de seu povo e pelo exemplo de homens como Francisco Canindé, Monsenhor Flávio e Dom Eugênio Sales.
Percebi, então, que a verdadeira peregrinação não terminava na basílica. Seu destino era o reencontro com a gratidão, esse lugar onde a alma reconhece o milagre da vida. Porque agradecer também é uma forma de rezar. Talvez a mais bela de todas.