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Editorial

Sinais de alerta

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A economia brasileira tem demonstrado capacidade de resistência, mas alguns indicadores recomendam cautela. A combinação de dívida pública crescente, inadimplência recorde e aumento das recuperações judiciais revela uma fragilidade que não pode ser ignorada.

O primeiro deles é a situação fiscal. A trajetória da dívida pública limita a capacidade do governo de investir e aumenta a pressão sobre os juros. Sem um esforço consistente de equilíbrio das contas públicas, o Estado tende a consumir parcela cada vez maior dos recursos disponíveis.

O segundo alerta está nas famílias e empresas. Em julho, 83,9 milhões de brasileiros estavam inadimplentes, o maior número da série histórica da Serasa. Entre as empresas, mais de 9,1 milhões de CNPJs tinham dívidas em atraso em junho, também recorde.

O terceiro sinal aparece justamente na dificuldade de sobrevivência dos negócios. O Brasil encerrou junho com 6.341 empresas em recuperação judicial, número recorde e 21,2% superior ao registrado um ano antes.

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Os três fenômenos estão interligados. Uma dívida pública elevada pressiona o custo do dinheiro; juros altos dificultam a rolagem das dívidas; e famílias e empresas endividadas reduzem consumo, investimento e capacidade de crescimento. O Brasil ainda está longe de um cenário de colapso, mas os sinais recomendam responsabilidade.

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