Editorial
Limites
O crescimento de 0,5% do PIB no segundo trimestre, após a alta de 1,1% nos três primeiros meses do ano, confirma que a economia brasileira entrou em uma fase de desaceleração. Mais preocupante é a queda de 0,4% no consumo das famílias, sinal de que juros elevados e endividamento começam a cobrar seu preço, apesar da resistência do mercado de trabalho, que segue aquecido.
O resultado também revela uma dependência excessiva de fatores pontuais. A agropecuária e a indústria extrativa sustentaram a atividade, enquanto indústria e o setor de serviços tiveram desempenho modesto. Sem o impulso do campo e do petróleo, portanto, o quadro seria ainda mais fraco.
O dado deveria servir de alerta para o governo e para os candidatos à Presidência. Não há crescimento sustentável baseado indefinidamente em estímulos ao consumo e expansão fiscal. Com as contas públicas pressionadas e a necessidade de um ajuste, o próximo governo terá de conciliar responsabilidade orçamentária, redução dos juros e estímulo aos investimentos.
Não se trata apenas de fazer o PIB crescer, mas de criar condições para que esse crescimento seja menos dependente de circunstâncias temporárias e mais sustentado por produtividade e investimento.
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